Política, cultura e generalidades

sábado, 26 de junho de 2010

Zé Carlos responde ao texto "Masturbação ideológica da direita"

Nosso grande leitor Zé Carlos (o do Com Texto Livre) foi rápido, e já comentou a postagem anterior. Mandei uma resposta para ele. Ele tem certeza de que eu não me importo em que ele coloque os textos daqui lá no blog que ele dirige.

Tem problema não, Zé Carlos. Estamos aqui para trocar ideias, mesmo. Por quê não trocar textos? Eu já me aproximei de muita gente com quem discordava totalmente antes (uns passei a concordar totalmente, outros em parte). Minha aproximação com o Com Texto Livre visa diversificar minhas conversas e aumentar a possibilidade de abordagens. O texto "A masturbação ideológica da direita" é consequência deste processo. Não sou de conversar com um único tipo de corrente de pensamento. Além do mais, eu também cansei (Putz! Cansei parece coisa de oposição direitista, rs) do pensamento único do PiG.

Sua resposta merece espaço em postagem inédita.

Sobre a eleição ser plebiscitária no sentido de continuar ou mudar o governo Lula, isso coincide com o que eu já disse antes de que a população não vai querer trocar esse governo Lula por nada. Não em 2010. Mas no futuro, quem sabe...

Eis o texto de Zé Carlos:

Meu caro Marcelo,

como vc praticamente me convocou a opinar sobre este post, não vou decepcioná-lo. Então, aqui vai resumidamente minha opinião:

Penso que esses partidos que vc chama de oposição de Esquerda -
PSOL, PSTU e PCO - representam também a Esquerda. Não os considero como oposição de Esquerda. Eles apenas tem um posicionamento, ou uma forma de fazer política, mais radical. Se vc ler os programas desses partidos verá que são também socialistas, porém escolheram um outro caminho para participar e chegar ao poder.

Lembro a vc que o
PT, logo em seus primeiros anos, também era visto como um partido radical. O objetivo de todo partido é chegar ao poder. Os caminhos para isso são vários. Cada partido deve escolher como chegar lá. Alguns fazem acordos e chegam a submeterem-se a determinadas alianças que acabam por esquecer o próprio programa partidário. Outros, em defesa de seus princípios, não admitem nenhuma negociação. Estes últimos, com certeza, irão permanecer na oposição por longo tempo. São os exemplos citados por vc.

Em política é preciso negociar, e isso não significa abrir mão de princípios. Ceder algumas vezes, não significa abandonar esses princípios. Faz parte do jogo político para chegar ao poder e realizar o possível.

Isso no entanto, raramente é observado pela Direita, que possui uma visão muito diferente para chegar ao poder. Essa oposição à direita serrista que vc menciona, não preocupa-se com princípios ou programas. Essa oposição faz qualquer acordo, qualquer negociata, qualquer conchavo para chegar ao poder. Desde que cheguem ao poder, ou possam exercer influência que beneficiem seus grupos, está valendo.

Finalizo dizendo para vc que aí está uma grande diferença entre a Esquerda e a Direita mencionada por vc: enquanto a esquerda pretende chegar ao poder com o objetivo de atender objetivos sociais, a direita tem como objetivo o capital.

Possivelmente vc vai discordar, (mas contra fatos não há argumentos): compare os números do governo de "esquerda" do PT com os do governo de "direita" do
PSDB, principalmente na área social.

E isso que o PT, para chegar ao poder, fez inteligentemente, acordos que possibilitaram fazer o possível. Soube ceder em alguns pontos e não transigir em outros.

Assim é a política, meu caro Marcelo.

E por isso, meu caro Marcelo, o país não pára de crescer e a oposição está, e continuará, sem discurso.

Esta eleição, como dizem por aí, será plebiscitária sim, mas não entre
Serra e Dilma, mas entre continuar ou mudar o governo Lula.

Abs!

Nenhum comentário:

Postar um comentário