Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Prefeitura de SP considera gêmeas como uma só pessoa e mãe reveza filhas nas aulas

Eis a política educacional dos demotucanos. São Paulo está uma vergonha.

Fonte: O Globo.

SÃO PAULO - Em São Paulo, uma falha no sistema municipal de ensino provocou um caso inusitado entre duas irmãs gêmeas. O sistema da Prefeitura registrou as duas irmãs como uma pessoa só. Para não perder a vaga, a mãe das crianças de 5 anos tomou uma decisão radical: como as duas irmãs não podem frequentar as aulas, a cada dia apenas uma delas vai à escola. O revezamento dura toda a semana.

- É bem difícil para uma mãe ter que escolher um dos filhos para ir à escola - diz Vanessa Boeno Said, mãe das gêmeas.

As gêmeas acordam às 6h30m, tomam café e apenas uma delas se prepara para ir à escola José de Alencar, na Vila Curuçá, na Zona Leste da cidade. Na última segunda-feira, era dia da Suzana ir para a escola. A irmã Samira ficou em casa, sem estudar.

- A Suzana entrou e eu fiquei triste. Queria ficar na escola - contou a outra gêmea, que acompanhou a mãe até a escola.

Vanessa explica que a dificuldade para conseguir matricular as gêmeas começou em 2008, e se repetiu em 2009 e em 2010. Até maio, as meninas estudavam em uma outra escola, na Zona Norte. A família precisou se mudar para a Zona Leste e o problema ressurgiu.

- Eles dizem que o sistema leu o cadastro delas como duplicidade. Eu não sei como porque até CPF eu já tirei para cada uma elas. A instrução que eu tive era de desistir da vaga. Eles cancelariam o cadastro das duas, começaria tudo de novo e as duas provavelmente ficaram sem escola. Então, eu não aceitei - explicou a mãe Vanessa.

Para que as duas crianças frequentassem a escola, a mãe tomou uma decisão de revezar as filhas.

- No ano passado, eles me fizeram desistir da vaga para Suzana e esse ano eu disse que não ia desistir. Decidi que ia mandar as duas na mesma vaga. Vou intercalar, um dia para cada uma. A Suzana vai de segunda e quarta, a Samira vai de terça e quinta e na sexta-feira, uma semana para cada.

Na última terça-feira, dia da Samira ir à aula, a mãe avisou a escola sobre a troca. Na hora da chamada, a Samira não respondeu e a Suzana levou falta. Quando a mãe foi buscar a menina, foi repreendida pela coordenação e teve que assinar um livro de ocorrência.

Vanessa afirmou que vai manter o revezamento das filhas até o fim desta semana, como forma de protesto. Ela já procurou o Conselho Tutelar, o Ministério Público e a Diretoria de Ensino da Prefeitura, mas até agora não houve solução.

A secretaria municipal da Educação divulgou uma nota sobre o caso. O órgão reconhece que houve um erro no cadastramento da Samira, lamenta profundamente o que aconteceu e pede desculpas a Vanessa.

Segundo a secretaria, o problema foi causado porque um funcionário que atendeu a mãe das gêmeas, quando ela se mudou para a Zona Leste, não recuperou os dados do cadastro que Vanessa já tinha na Prefeitura. A secretaria diz que vai apurar o erro e que está resolvendo o problema. As duas meninas terão vagas garantidas nos próximos dias, segundo a secretaria.

Um comentário:

  1. Eu e o Alexandre sentimos na pele o preconceito contra os gêmeos. A sociedade construiu uma mitologia ao redor dos gêmeos, como se estes não fossem humanos, fossem um ser a parte. Para a maioria, gêmeos são tratados como se fossem uma pessoa só com dois ou mais corpos.

    Alexandre tem uma personalidade bem diferente da minha e se concordamos com alguma coisa é porque além de termos experiência de vida parecida, procuramos sempre debater os assuntos. Mesmo assim, temos divergências em alguma coisa.

    Pelos nossos blogs (que não tem nenhuma associação entre si - para se ter idéia, nem sei que senha o Lexa usa para entrar no blogger), dá para perceber muitas diferenças. Até o modo de admnistrar os blogs é diferente.

    Eu e o Lexa somos gêmeos bivitelinos, com placentas separadas, o que garante maior diferença. Nossa semelhança é apenas visual, mas nem tanta assim. Prestando atenção, há diferenças em alguns traços. Mas costumo dizer que tenho um sósia na família, já que a semelhança pára na aparencia.

    Mas até mesmo os univitelinos merecem ter sua idividualidade respeitada, já que não existe pessoas 100% iguais no planeta. Por mais igul que seja, catando, há alguma diferença. O fato de cada um ser uma pessoa já é uma diferença.

    Agradeço a você, Delfino por respeitar a nossa individualidade. E tocar nesse assunto foi muito bom para tentar mostrar os absurdos desse preconceito nunca questionado.

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