Política, cultura e generalidades

domingo, 13 de junho de 2010

Pelo direito de não acompanhar a Copa

Fonte: O Dia.

12.06.10 às 20h19

Os homens que têm horror à Copa

Nem todos se divertem com o Mundial e muitos se queixam dos enormes prejuízos financeiros

POR SABRINA GRIMBERG

Rio - Essa história de que mulher não entende nem se interessa por futebol não é exclusividade delas. Muitos homens engrossam o time e fazem coro para a Copa da África do Sul terminar logo, até para minimizar o prejuízo financeiro.

A dois dias da estreia do Brasil no Mundial, a cidade já entrou em clima de euforia, para azar de pessoas como o designer Jimmy Mcmanis, o geólogo Fabiano Couto, o psicanalista Fernando Scarpa e o empresário Felipe Belaciano.

“Esse fanatismo do brasileiro é muito chato. Vivemos a ditadura do futebol”, reclama Fabiano Couto, de 38 anos, com o aval de Mcmanis. “Fora isso, eu deixo de ganhar dinheiro nos dias dos jogos. A impressão na gráfica não é feita, o mercado fica fora de contato, a entrega atrasa e, consequentemente, o pagamento também. Metade deste mês é morto”.

Distribuidor de marca de cosméticos, Felipe Belaciano passa por problema semelhante. Mas, ao contrário dos demais, ele adora futebol. “Quando eu era funcionário e tinha salário mensal, Copa era ótimo. Agora, dependo do comércio. Quero mais é que o Brasil seja eliminado na primeira fase”, brinca o empresário.

Alheio às notícias sobre as 32 seleções, que não param de pipocar na mídia, Fernando Scarpa não tem vontade de se contagiar com o momento. “Simplesmente não leio. As pessoas costumam colocar mal, dizendo que odeiam futebol. Para mim, a definição é ‘estar indiferente’. O contrário do amor não é o ódio e, sim, a indiferença”, ensina o psiquiatra.

A falta de interesse no assunto é tanta que o nome do argentino Lionel Messi — o atual melhor jogador do mundo — não remete a ninguém para Jimmy Mcmanis nem para Scarpa: “Sinceramente, não sei quem é”, dizem eles.

Numa realidade mais próxima, os jogadores que formam o ataque na seleção brasileira também não vem à cabeça. “Só sei que tem um chamado Luís Fabiano porque meu nome é Fabiano”, ri o geólogo.

Independentemente da desfeita aos jogos exibidos na TV, um contraponto é bem-vindo e jamais dispensado: encontro com os velhos amigos e uma cerveja bem gelada à mesa.

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