Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eleição presidencial e o velho argumento do medo

Cesar Maia, ex-prefeito do Rio de Janeiro e raposa velha do DEM, escreveu o seguinte texto em seu Ex-Blog:

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL E O VELHO ARGUMENTO DO MEDO!

Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (29).

1. Em campanhas eleitorais, é muito comum a disjuntiva esperança x medo, quando os candidatos atribuem uns aos outros riscos quanto ao futuro, de forma a aportar insegurança nos eleitores. No jornal "El Tiempo", de Bogotá, o jornalista León Valencia, analisando a eleição presidencial, tenta explicar a performance do candidato verde, Antanas Mockus, usando essa disjuntiva. Cita John del Cecato, estrategista do Partido Democrata, que fez essa aposta vitoriosa na eleição de Obama. Seu princípio é: "A esperança vende mais que o medo".

2. Paradoxal é o caso brasileiro. Por anos, durante as seguidas tentativas desde 1989, Lula respondia com seu jingle a seus adversários que lançavam sobre ele uma nuvem de insegurança e medo. Não faltou o apoio de artistas: "Lula-lá, sem medo de ser feliz"; "Lula-lá, cresce a esperança". Curioso paradoxo. O que parecia um preconceito em relação ao candidato operário apoiado pelas esquerdas era, na verdade, uma velha fórmula aplicada por candidatos do governo contra a oposição.

3. Collor não foi exceção, apoiado pela direita no governo, com o presidente Sarney isolado em seu próprio partido. Já na eleição de 2006, esses sinais começaram a ficar claros no segundo turno, quando o tema privatização foi lançado pela campanha de Lula para gerar insegurança em relação a Alckmin. Na atual campanha, aquela disjuntiva volta. Quem está no governo se dirige à oposição com o velho e surrado discurso do medo.

4. Medo de que o programa Bolsa Família seja descontinuado, de que novas privatizações poderão vir, etc. A mesma lógica lançada contra Lula pelos governos, é agora lançada pelo governo de Lula contra a oposição: emplacar no eleitorado a sensação de medo quanto ao futuro. Antes, e agora também, a oposição procura reagir da mesma forma: dizendo que nada disso é verdade e que tais ou quais vetores terão continuidade.

5. Quanto mais fortes as instituições democráticas, mais desmoralizada é essa apelação ao medo que fazem os governos reiteradamente. Esperança é a metáfora usada pelas oposições -aqui e alhures- para tratar de mudança, com o sujeito oculto pelo verbo. E o eleitor pode perceber assim. Os governos -seus candidatos e agora candidata- traduzem o discurso da oposição por mudança, em insegurança para o eleitor. Numa situação de crise, é fácil desmontar a bandeira do medo. Numa situação de normalidade, não é tão fácil.

É quase uma confirmação de que José Serra não deverá ser eleito presidente. Pelo menos em 2010. Isso Cesar Maia vem dizendo desde 2009. Fica pelo menos o mérito da visão de longo prazo de Cesar Maia.

A não ser que...

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