Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Baixou o nível


Fonte: Congresso em Foco.

10/06/2010 - 05h58

"As risíveis e inócuas multas aplicadas pela justiça e a certeza dentro do PT de que o custo delas valeria o “benefício” auferido não poderiam ter outra consequência: o jogo sujo e rasteiro acabou encampado pelo ninho tucano"

Heitor Diniz*

Lula, Dilma e toda a patota do projeto dilmocrático deram previamente mostras do que pode ser esta campanha ainda na pré-campanha, com frontais e debochadas violações à lei eleitoral. As risíveis e inócuas multas aplicadas pela justiça e a certeza dentro do PT de que o custo delas valeria o “benefício” auferido (o movimento favorável das intenções de voto nas principais pesquisas de opinião) não poderiam ter outra consequência: o jogo sujo e rasteiro acabou encampado pelo ninho tucano. Questão de sobrevivência. E de nivelamento por baixo.

Em encontro de lideranças realizado na última segunda-feira em Montes Claros, no norte mineiro, Serra e sua tropa usaram e abusaram da nefasta estratégia que tanto vêm combatendo, e perderam a vergonha não só de escancarar a candidatura, mas também de pedir votos abertamente, mobilizações ainda não permitidas pela lei.

O locutor oficial do evento foi o primeiro a errar a mão, como bem observou o repórter da CBN Belo Horizonte, Rodrigo Freitas. O tal animador referia-se a Serra como candidato, em vez de pré-candidato. Note-se: sem qualquer constrangimento.

Mas a principal e mais efusiva manifestação de propaganda eleitoral antecipada (e da conseguinte certeza de impunidade) veio do ex-governador de MG, Aécio Neves. O vice dos sonhos (impossíveis até que se prove o contrário, visto que não aceita a missão de jeito maneira) berrou a quem quisesse ou não quisesse ouvir: “Elejam Serra! Elejam Serra! Não vai faltar frango na panela e leitoa assada para comemorar”.

PT e PSDB dão o tom, até o momento pesado, deste 2010 “brabo”, que ainda pode vir a ser mais nobre e respeitável, mesmo nas acirradas e aguerridas trincheiras eleitorais. Por enquanto, com tanto “dossiê” e com tanto populismo barato de parte a parte, as perspectivas são de que esta deverá ser uma campanha menos de ideias e mais de tribunais.

*Heitor Diniz é jornalista de Belo Horizonte. Seu trabalho também pode ser lido em
http://www.uai.com.br/cronicapolitica e http://twitter.com/heitordiniz

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