Política, cultura e generalidades

sábado, 29 de maio de 2010

Por quê o Viradão de Sampa é melhor que o carioca?

Esta pergunta me veio à cabeça depois de postagem do meu amigo Leandro Souto Maior, um dos guerreiros que tentaram ressuscitar a Fluminense FM na década passada, antes dos pitís de Alexandre Torres Amora, da Flu light e da Band News FM. Vale a pena a leitura.

O texto lembra que vários shows do Viradão paulistano são temáticos. Teve um em que botaram num palco o artista Edy Star (que gravou o lendário LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 junto com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada). Edy cantou o repertório inteiro do disco. Teve até headbanger dos brabos cantando Todo mundo está feliz a plenos pulmões. No Viradão Carioca, só shows convencionais, com os artistas cantando e tocando o repertório de sempre.

E tem um comentário excelente do Leandro:

No Rio é sempre essa coisa meio social: "Ah, vamos levar o Afro Reggae para tocar na praia e a música clássica para o Complexo do Alemão". Só dá para voltar a ter fé no Rio quando pararem de achar que música tem função social.

Essas comparações dos dois viradões servem ao menos para jogar por terra vários clichês ligados à cultura e à política. Tem aquela teoria que diz que cultura elevada é de esquerda (MPB, rock brasileiro, samba de raiz, etc) e o restante seria cultura de direita (como a Música de Cabresto Brasileira, termo muito citado no blog parceiro O Kylocyclo que envolve fânqui, sertanojo, pagrude, axé, acocha, tecnobrega, etc).

Só que, se formos ver, o Viradão de Sampa é ironicamente um projeto dos demos e dos tucanalhas, tendo à frente o prefeito Gilberto Kassab, demo apadrinhado do presidenciável José Serra. Já esse Viradão cover carioca é cria da comunista chique Jandira Feghali, ex-Secretária Municipal de Cultura que levou uma rasteira do velho direitão Francisco Dornelles na corrida do Senado em 2006.

Então, senhores politiqueiros em geral... O Viradão de Sampa é melhor porque está entregue a técnicos que escolhem melhor os artistas e propõem roteiros nada óbvios. Técnicos muito melhores que seus colegas cariocas. Não tem essa palhaçada de cultura elevada ser de direita ou de esquerda. É questão de competência. Até mesmo porque aquela velha máxima de que "a direita fica com o Governo, a agenda política e a pauta dos jornais, enquanto a esquerda fica restrita aos cadernos culturais (com figuras tipo Chico Buarque)" já acabou há muito tempo. Porque a esquerda ficou com o Governo e a direita (através da Música de Cabresto Brasileira) ficou com os cadernos culturais.

Mas há de se anotar que São Paulo virou há anos a única e verdadeira capital cultural do Brasil.

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