Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pedofilia, Igreja e verdade

Fonte: Jornal A Gazeta de Vitória.


O crime de pedofilia agride a sociedade de maneira contundente - afinal, sua gravidade se amplia por recair no ataque à inocência. É justo, portanto, denunciá-lo e combatê-lo, além de se buscar a prevenção de sua ocorrência ao se reforçar com clareza legal e pedagógica que nenhuma categoria social pode colocar-se acima do bem e do mal. Nem sequer e muito menos aqueles que são responsáveis por guiar os crentes ao ensinamento e ao legado de Cristo, sejam eles padres ou pastores? A ninguém é dado salvo-conduto para a prática de ilícitos. Aliás, é justamente nos religiosos, cujo ofício é a confirmação da boa nova anunciada na encarnação de Jesus Cristo, que recai a expectativa da boa palavra e do bom exemplo.

Contudo, a acusação da prática de pedofilia não deve se desvirtuar em ocasião para que se realize uma cruzada contra a Igreja Católica. O que ora se tem visto é uma exacerbação que parece pretender punir a todos os católicos, constituindo-se numa espécie de inquisição às avessas? Por esse viés, é a própria Igreja que se vê no banco dos réus.

Por mais paradoxal que pareça, a investigação do crime de pedofilia está se travestindo em guerra santa contra a cristandade. Como consequência desta exposição abusiva e extremada, não há como não admitir que pessoas de bom senso pressintam o afastamento, a negação, a alienação da fé e a oportunidade de instalação de um pretenso mundo ausente de Deus.

A investigação da pedofilia travestiu-se de espetáculo midiático que tenta colocar toda a Igreja Católica em suspeição. Revestiu-se com a roupagem da generalização, da banalização e da pretensa exaltação de quem a empreende. Para retornar à passagem de Cristo entre nós e de seu sacrifício, que ora é conduzido a este novo calvário midiático, não é difícil detectar a semelhança intelectual dos atuais algozes com a daqueles que se dispuseram a publicamente lançar pedras em Madalena (Jo 8, 1-11). Sim: Jesus Cristo não negou os pecados de Madalena; Ele apenas incitou aos que estavam com ele naquele pátio a refletirem sobre os próprios pecados, aninhados em seus corações - que se faziam de pedra para não ver o erro a que conduziam a falaciosa justiça de suas mãos.

A Igreja Católica não tem o monopólio da candura, tampouco o da verdade? Não pretende e não tem mandado Divino para agir à revelia da cristandade. Mas neste momento atribulado, o País bem pode mirar sua prática histórica de trabalhar em prol da universalização da Educação, de opor-se às tiranias e de confortar o desamparo daqueles que tantas vezes se sentiram sem forças para enfrentar os males do mundo.

A Igreja Católica ajudou-os a encontrar a mão e a bênção de Deus para seu auxílio, para sua vitória. Além disso, não se pode esquecer a contribuição fundamental da igreja para a melhoria da qualidade de vida, em todo o mundo.

No Brasil, por exemplo, a primeira escola primária e o primeiro hospital surgiram a partir da iniciativa da igreja. Deixar que toda esta trajetória de construção positiva, principalmente de valores, seja manchada por causa de erros isolados não me parece ser o mais coerente. E sempre relembrando a palavra de Jesus Cristo, como em Lucas (14, 11): "Pois todo aquele que se exalta será humilhado; e todo aquele que se humilha será exaltado".

Guerino Balestrassi é ex-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo e ex-prefeito de Colatina.

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