Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Depois do Canecão, Scala também deve fechar

Pois é. O Scala fechará. Agora os bispos da Igreja Apostólica Renascer em Cristo terão que arrumar outra freguesia para colocarem seus cultos na zona sul carioca.

Fontes: O Globo e JB.

Depois do Canecão, Justiça dá ao governo do estado reintegração de terreno do Scala

Publicada em 13/05/2010 às 22h57m
Débora Gares, Leonardo Cazes, Rogério Daflon e Tulio Brandão


RIO - Duas longas brigas judiciais que tiveram desfecho esta semana podem deixar a Zona Sul órfã de grandes casas de espetáculos. Na segunda-feira, o Canecão, em Botafogo, foi interditado em cumprimento à decisão judicial de um processo que se arrastava desde 1971. A UFRJ, proprietária do terreno, conseguiu a reintegração da posse. Nesta quinta, foi a vez de a mesma decisão afetar o Scala, no Leblon. O governo do estado ganhou o direito de reaver o terreno, de 6.402 metros quadrados, e o proprietário da casa, Francisco Recarey, terá 90 dias para desocupar a área.

Uma vez desocupados, os espaços devem ganhar destinos distintos. O reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, estuda transformar o Canecão num centro cultural.

- Podemos ter apresentações dos nossos alunos de dança, artes cênicas e direção teatral. Já foi sugerida também a criação de um núcleo sobre o carnaval, já que vários carnavalescos são professores da Escola de Belas Artes. E o próprio Ministério da Cultura nos procurou para montar um espaço dedicado ao samba e à MPB - contou, reafirmando que, por enquanto, ainda não há projeto decidido.

Governo pretende leiloar área do Scala

Já o governo do estado pretende leiloar a área do Scala, que faz parte do patrimônio do Instituto RioPrevidência. Em fevereiro deste ano, o segundo andar do Scala já tinha sido interditado pela Justiça por ter sido cedido para uma empresa interessada em instalar uma boate no local.

Nesta quinta-feira, sensibilizado com o fechamento do Canecão, o prefeito Eduardo Paes, durante cerimônia de inauguração de uma obra em Copacabana, disse que ligaria para Teixeira com o intuito de persuadi-lo a manter a casa de espetáculos em Botafogo. A intenção de Paes é fazer um apelo para que a UFRJ faça uma licitação de concessão de uso do Canecão que seja vantajosa para a universidade:

- O Canecão tem a ver com a cultura e com a luta pela liberdade. Além disso, está enraizado na cultura carioca, tem o jeito de ser carioca e é uma das coisas que fizeram o Rio ser o que é. Acho uma pena ele deixar de existir como casa de shows e eventos.

O prefeito chegou até a fazer piada sobre seu passado como espectador de espetáculos memoráveis na casa.

- Se eu contar algumas das minhas histórias no Canecão, não me elejo para mais nada - brincou. - Imagina se eu vou contar sobre o show do The Wailers - divertiu-se Paes, referindo-se provavelmente a um dos primeiros shows feitos no Brasil pela banda jamaicana criada por Bob Marley e Peter Tosh, em setembro de 1990.

O reitor da UFRJ afirmou que a administradora do Canecão entrou nesta quinta-feira com um recurso (agravo de efeito suspensivo) contra a decisão judicial que obrigou a devolução do imóvel para a UFRJ. A decisão judicial que autoriza a UFRJ a reaver o terreno já transitou em julgado, mas, até a execução, a empresa administradora do Canecão pode entrar com outros recursos - que não questionam o mérito da ação principal.

A disputa em torno do prédio ao lado do Canecão, que tem como locatário a Associação de Servidores Civis do Brasil, também não está concluída.

Scala ainda cogita recurso na Justiça

O advogado Luiz Fernando Carvalho, do Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes, esclareceu que, ao contrário do que afirmara o reitor na terça-feira, a Associação Brasileira de Servidores Civis do Brasil está ativa.

- Há um recurso ainda em andamento que discute o valor das benfeitorias realizadas pela entidade. Enquanto isso não for decidido, nada poderá ser feito - disse Carvalho, que representa a associação.

Segundo a assessoria do empresário Chico Recarey, o departamento jurídico da empresa responsável pelo Scala ainda não foi notificado sobre a ação de despejo e a advogada Ana Maria Vilella ainda deverá recorrer da decisão.

Ao saber da notícia, artistas como a travesti Rogéria, que apresentou durante 20 anos um dos mais tradicionais bailes de carnaval da cidade, o Gala Gay, para a TV, demonstrou consternação:

- Os artistas estão perdendo cada vez mais espaço na cidade. Querem acabar com o show bizz!

Inaugurado em 1984, o Scala já recebeu shows de artistas da música brasileira como Tim Maia e Maria Bethânia. Recentemente, a casa passou a organizar apenas seus tradicionais bailes de carnaval e a alugar seu salão para festas e outros eventos.

Aston_Martin
14/05/2010 - 03h 13m

Help era uma boate famosa e virou ponto de prostituiçao e mendicância. Ainda bem que o espaço vai servir pra outra coisa. Renovaçao e transformaçao. Que o Scala ou o que venha ocupar o Scala ofereça boas novidades, o Rio merece.

celuiz86
14/05/2010 - 01h 18m

O Ufanismo de Sérgio Cabral está acabando com os pontos de diversão da cidade. Primeiro foi a Help, depois o Canecão, agora o Scala. Ninguém merece esse governo atual.

Moscato
13/05/2010 - 23h 58m

Parabéns ao Judiciário e ao governo do estado do Rio de Janeiro. Agora, falta devolver ao patrimônio público a academia ali às margens da lagoa!

Scala: ordem de despejo é comemorada pelos moradores do Leblon

Thiago Feres e Marcelo Fernandes, Jornal do Brasil

RIO - Situada há 20 anos na Rua Afrânio de Melo Franco, 268, no Leblon (Zona Sul), a Churrascaria Santos Anjos, razão social utilizada pelo Scala Rio, encerrará suas atividades por decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública. A ordem de despejo com reintegração de posse pelo governo do estado foi recebida com satisfação e certo alívio pelos moradores do bairro.

O imóvel pertence ao patrimônio do Rio Previdência e estava cedido ao empresário espanhol Chico Recarey. Ao longo dos anos, o espaço foi palco de inúmeros e tradicionais bailes carnavelescos, formaturas, festas e shows. Alguns deles não tiveram desfechos muito felizes, com confusões e até tiroteios. Além dos transtornos causados ao trânsito na área, também existiriam dívidas pendentes do proprietário com o estado. Segundo a assessoria de imprensa do governo, “os valores não estão sendo discutidos no momento, apenas a reintegração de posse”. Procurados pelo Jornal do Brasil, os responsáveis pelo Rio Previdência não souberam precisar o valor atual do débito da casa de show com os órgãos estaduais.

– Acredito que o Scala não contribua em nada para a cidade ou para o Leblon – avalia a presidente de uma associação de moradores do bairro Evelyn Rosenzweig. – Os eventos realizados na casa sempre tumultuaram a rua, e o fato de existirem dívidas com o estado incomoda toda a vizinhança. Podemos construir coisas muito mais relevantes para os moradores naquela área, ou o espaço pode ser vendido e o estado lucrar com isso. É melhor do que ficar somente no prejuízo.

Os responsáveis pelo Scala Rio terão o prazo de 90 dias para desocupar o local, a partir do recebimento da notificação judicial. A ação, proposta em agosto de 2001, não permite novos recursos judiciais ao empresário Chico Recarey, segundo destacou o governo. “A execução é provisória, mas, salienta-se que, em 28 de abril de 2010, o terceiro vice-presidente do Tribunal de Justiça inadmitiu os recursos especial e extraordinário manejados pelo réu”, dizia a nota oficial.

Após a devolução do imóvel, o prédio deverá ser leiloado pelo governo. A advogada Ana Maria Vilela, responsável pelo setor jurídico de todas as empresas sob a responsabilidade do empresário Chico Recarey, destacou que a ação ainda admite recurso, contrariando o que disse o governo. Segundo ela, a partir do recebimento da notificação, todas as medidas serão tomadas para manter a casa de show em pleno funcionamento.

Estudantes da UFRJ têm ideias para o novo espaço

Após recuperar a posse do terreno onde funcionava a casa de shows Canecão, o comunicado da reitoria da UFRJ, que pretende realizar uma reunião pública para decidir o destino do imóvel deixou os alunos empolgados.

A estudante de direção teatral Maria Eduarda Magalhães, de 19 anos, gostaria que o espaço fosse direcionado para alunos do seu curso.

– O Canecão é uma ótima alternativa para termos um espaço. Nós sempre brigamos, literalmente, para ter salas aqui. Temos um problema sério para conseguirmos lugar para as aulas – reclama.

Outra que apoia a ida das aulas de direção teatral para o Canecão é a aluna de publicidade Michelle Modesto.

– Seria legal que eles ganhassem o espaço. Afinal, não têm onde ensaiar e já tivemos que interromper nossos estudos por causa dos gritos deles nas aulas de impostação de voz na sala ao lado – reclama.

Já a diretora de cultura do Diretório Central de Estudantes, Carol Barreto, 24, quer inovação.

– Eu gostaria que fosse um espaço de vanguarda, revelando novos artistas. Vou até propor a realização de um festival universitário – comemora.

Para a aluna de pós-graduação em urbanismo Aline Coure, 32, o lugar só não pode ser abandonado.

– É preciso ver outros aspectos também, pois a faculdade não tem muito dinheiro para investir em outros projetos, imagina lá – opinou.

Construção feia, diz professor

O professor de comunicação e arte André Parente também espera que o espaço continue dedicado às artes.

– Acredito que a direção da universidade vá dar um destino coerente. Embora seja uma construção feia arquitetonicamente e a acústica seja muito ruim, é um espaço para shows médios, e aqui no Rio não temos muitas opções para isso – lamenta.

O reitor da UFRJ disse que irá realizar uma reunião com moradores e as comunidades artística e acadêmica para decidir o melhor destino à tradicional casa de shows em Botafogo.

Paes tenta acordo

Quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes afirmou que vai procurar Aloísio Teixeira para tentar convencê-lo a aceitar uma parceria para que o Canecão continue funcionando como casa de shows. Segundo Paes, se a proposta da iniciativa privada trouxer recursos para a UFRJ, o projeto tem chance de vingar.

21:48 - 13/05/2010

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