Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 28 de maio de 2010

DEM copia PT na TV e também faz campanha antecipada para Serra


Tem um detalhe: o DEM nem é o partido de José Serra, ao contrário do PT, que é o partido de Dilma Rousseff.

Fonte: O Globo.

BRASÍLIA - Contrariando seus discursos e ações na Justiça Eleitoral contra a prática do PT de fazer campanha antecipada, o DEM fez o mesmo em seu programa partidário exibido nesta quinta-feira em cadeia nacional de rádio e TV. O pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, foi a principal estrela, ocupando cerca de 80% dos dez minutos da propaganda. Dilma Rousseff e Lula foram as estrelas do programa do PT, exibido dia 13.

O DEM insistiu no formato mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter determinado, durante a semana,
a suspensão das inserções regionais do partido com o mesmo conteúdo na Bahia e no Ceará, salientando que a sigla não poderia fazer propaganda de uma pessoa que não é filiada à legenda - no caso, Serra. Essa prática será permitida a partir da formalização da coligação para a disputa presidencial.

Na tentativa de driblar a Lei dos Partidos, que veda a participação de filiados a outras legendas, o DEM utilizou trechos do discurso feito por Serra no encontro suprapartidário do dia 10 de abril, quando o tucano foi lançado pré-candidato.

Oposição espera que programa influencie pesquisas

A oposição usou a mesma estratégia do PT para massificar a imagem de Serra, na expectativa de que isso resulte em mais pontos nas pesquisas de intenção de votos - como aconteceu com Dilma após sua superexposição nos programas do PT.

Além do programa do DEM e o do
PSDB, que vai ao ar dia 17 de junho, o tucano será protagonista também dos programas dos aliados PPS e PTB. Integrantes do DEM sabem que poderão ter problemas na Justiça Eleitoral. Mas, segundo dirigentes, o partido decidiu correr o risco de ser punido pelo TSE - a punição consiste em suspender o programa no ano que vem.

Nesta quinta, o ponto alto do programa do DEM foi o trecho do discurso de Serra, feito no dia 10 de abril, em que ele pregou a unidade do país, numa crítica indireta ao governo Lula:

- Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. (...) Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo.

Nesse mesmo bloco, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), também faz duro ataque ao governo, acusando o PT de pregar a divisão da nação. Os trechos do discurso de Serra eram separados por tema e intercalados com falas de líderes e dirigentes do DEM, além de depoimentos de populares. Foi muito explorado o slogan de campanha de Serra de que "O Brasil pode mais".

Entre os temas abordados no programa, também tiveram destaque as falas do tucano sobre desemprego, a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador e a construção do Rodoanel, uma das principais obras de seu governo em São Paulo.

O DEM explorou a parceria do prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM) com a administração estadual tucana nas áreas de saúde e educação. Foi usado trecho em que Serra defendeu a necessidade da criação das escolas técnicas. O mesmo formato adotado para falar de meio ambiente, agricultura, segurança e justiça - quando Serra afirma que o grande problema do Brasil é a certeza da impunidade.

O programa contou com rápidas falas do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do líder na Câmara, deputado Paulo Bornhausen (SC). Antes de o programa ir ao ar, o PT pediu ao TSE a sua suspensão, mas o pedido foi negado pelo ministro Aldir Passarinho. Seria considerado censura prévia. O presidente do DEM criticou o pedido do PT e justificou o formato do programa:

- Nosso programa foi baseado no que entendemos do momento atual da política brasileira. Acho engraçado o PT tentar impedi-lo depois de todos os abusos eleitorais cometidos pelo presidente Lula e pelos próprios petistas.

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