Política, cultura e generalidades

terça-feira, 23 de março de 2010

A via-crúcis dos cadeirantes nos ônibus do Rio

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
O jornal informa que a personagem Luciana de Viver a Vida começou a viajar de ônibus ontem, quando na verdade só deve começar a fazer isso hoje.

Fonte: O Dia.

A via-crúcis nos ônibus do Rio

Desafio vivido ontem por Luciana na novela é rotina de cadeirantes, que sofrem com despreparo no transporte coletivo

POR NATALIA VON KORSCH

Rio - A cadeirante Luciana, personagem de Alinne Moraes em ‘Viver a Vida’, começou a passar ontem por aventura que milhares de homens e mulheres na mesma situação são obrigados a enfrentar todos os dias: (tentar) pegar ônibus nas ruas do Rio. Entre as dificuldades encontradas pela personagem, estão falta de rampas para atravessar a rua, mesas de bares espalhadas nas calçadas, carros mal-estacionados e poucos ônibus adaptados.

Ao menos neste caso a novela imitou a vida real. Esses e outros obstáculos foram flagrados ontem por O DIA, que levou o público Robson Goulart, 39 anos, para testar o serviço no trajeto do trabalho, no Centro, à sua casa, na Baixada. Ao contrário da milionária do horário nobre, que ‘escolhe’ viver essa experiência, ele não tem opção. Robson ganha um salário mínimo (R$ 510) e pega pelo menos 4 ônibus — e dois trens — para se deslocar todo dia. “É uma falta de respeito com os cadeirantes. Além das ruas esburacadas e da falta de rampas, a grande maioria dos ônibus ainda não está adaptada para nos levar”, lamenta.

Ontem, a viagem-teste do cadeirante durou três horas. Nos quatro veículos de diferentes linhas e empresas em que ele conseguiu entrar, pelo menos um problema foi verificado: defeito no equipamento ou falta de treinamento do motorista. Sem contar as demais viações, que sequer pararam nos pontos para pegar o servidor público.

Se Robson conseguiu chegar ileso ao destino, foi graças à boa-vontade de motoristas e passageiros, coisa que ele garante não ser lá muito comum: “Normalmente eles sequer olham para a gente, ficam reclamando por estarmos ‘atrasando’”.

Segundo a Rio Ônibus, apenas 16% dos 8.600 ônibus da frota fluminense estão adaptados para deficientes.

O CALVÁRIO DE TODO DIA

C10 (TRANSURB)
Robson chegou às 16h20 ao ponto final, na Central, e levou 20 minutos até achar um motorista que soubesse operar o elevador de cadeirantes. No primeiro veículo, a condutora não tinha a chave que aciona o controle. No segundo, o elevador emperrou, mas o motorista Rodrigo de Jesus deu uns pulinhos em cima do equipamento e ele funcionou: “Trabalho aqui há quase dois anos e nunca tivemos treinamento, foi o próprio Robson quem me ensinou a operar o elevador”, admitiu. Detalhe: o cinto de segurança estava quebrado.

1136 (EXPRESSO PÉGASO)
Depois de aguardar cerca de 15 minutos até um ônibus adaptado parar no ponto da Av. Presidente Vargas, Robson ainda teve de ensinar o motorista Francisco Ribeiro a operar o elevador, o que levou 8 minutos. “É fácil, mas temos de ter muito cuidado para ele não cair na calçada”, explicou Francisco, que também não recebeu treinamento.

SANTA CRUZ (ALGARVE)
Dois ônibus da linha — ambos com adesivo que os identificava como adaptados — foram parados pelo cadeirante na Av.Brasil e não tinham elevador nem espaço reservado para deficientes.

541 (N. S. PENHA)
Às 19h, ele pegou o último ônibus do trajeto, mas teve de ensinar o condutor a operar o elevador. Não havia cinto de segurança.

Um comentário:

  1. Isso é uma realidade em um dia só que fui ao centro aqui em ribeirão preto sp um motorista deixou uma parte da rampa cair na minha perna, quando voltei meu pé enrroscou na rampa quase quebra os motorista tem dificuldades em operar as rampas e muitas estão quebradas

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