Política, cultura e generalidades

sábado, 13 de março de 2010

Um excelente CD incendiado no Aeroporto Santos Dumont


Não contei ainda aos leitores deste blog. De 1995 a 1999, fui soldado da Aeronáutica. Meu quartel era o Centro de Computação de Aeronáutica, que na época ficava no Aeroporto Santos Dumont.

Numa manhã de sexta-feira de 1998, cheguei ao aeroporto para cumprir meu expediente e ainda entrar de serviço de plantão de 24 horas. Mas eis que encontrei o aeroporto sendo lambido pelas labaredas de um incêndio que destruiu o terminal de passageiros, poupando apenas o subsolo. O quartel foi lambido pelo incêncio, também. Ou quase todo, porque apenas o Centro de Processamento de Dados, alguns vestiários e alojamentos, que ficavam no subsolo, foram poupados. O que livrou o quartel de substanciais prejuízos maiores, porque todos os computadores de alta capacidade ficavam no subsolo.

Nenhum colega ficou ferido. Ficou o efetivo todo da unidade (oficiais, sargentos, cabos, soldados, taifeiros e civis) lá na frente do aeroporto, assistindo o incêndio. Os oficiais estavam de celulares em punho, já pedindo ajuda aos outros quartéis do Rio, para que o que restou da unidade fosse transferido para uma sede provisória que seria montada na semana seguinte em outro prédio do Centro do Rio.

Lembrei dessa história toda porque eu comprei na quarta-feira passada a edição remasterizada do CD Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, um disco coletivo que a tal sociedade (Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada) gravou em 1971, antes dos primeiros discos solos de cada um. A reedição de 2010 (lançada pela Sony) tem capa e contracapa restaurados, ficha técnica e letras das músicas. A questão é que eu havia comprado na época da Aeronáutica a edição de 1995 do mesmo CD, edição esta lançada pelo selo independente Rock Company. Coisa rara, portanto. Só que eu não cheguei a levar este disco para casa. Ainda ouvia no alojamento do quartel, em hora de descanso, num CD player que tinha. Ou ouvia baixinho nos alto-falantes dos computadores, quando deixavam. E guardava esse disco exatamente na parte que pegou fogo, juntamente com uns disquetes particulares que não me fizeram falta. O CD, sim, me fez falta.

Nunca mais ouvi este disco. Não procurei outra cópia em sebos, nem baixei da Internet, quando pude faze-lo. Preferi esperar um hipotético relançamento. Veio um em 2000, desleixado, sem encarte, sem ficha técnica, sem letras e com som xoxo. Nem vi esse disco.

Mas veio esta edição de 2010. Esta, sim, vale a pena ser adquirida e conferida. Este CD me faz lembrar dos talentos que o gravaram (Edy é o único remanescente vivo) e da época em que eu o ouvi pela primeira vez, em 1998.

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