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sexta-feira, 12 de março de 2010

Saara calcula prejuízo de R$ 500 mil por dia com apagões

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
Fonte: O Dia.

Saara calcula prejuízo de R$ 500 mil por dia

Cerca de 100 lojas foram afetadas só na região da Alfândega. Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes estima que a queda no movimento tenha sido de cerca de 40%

Rio - As sucessivas e longas interrupções no fornecimento de energia do Centro foram um duro golpe para empresários e comerciantes da região. Somente na Saara (Sociedade de Amigos e Adjacências da Ruas da Alfândega), onde foram afetados cerca de 100 lojas, é calculado um prejuízo de R$ 500 mil por dia de apagão.

Ontem, a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) enviou ofício ao governador Sérgio Cabral, solicitando intervenção na crise gerada pelo blecaute no Centro. Cabral afirmou que já havia solicitado providências a Aneel.

Hugo, que comercializa luzes de emergência, foi um dos poucos a comemorar: vendeu cinco vezes mais Foto: Eduardo Naddar / Agência O DiaO Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio) informou que 172 estabelecimentos foram atingidos, com queda de até 40% no movimento. É o caso do restaurante Plus, onde foi preciso improvisar com as velas. “Meu faturamento caiu 50% e eu já perdi uns R$ 5 mil aqui”, calculou o gerente Antônio Alves, 41.

Para alguns, a perda foi ainda maior. O comerciante Neivaldo dos Santos Lima, 46, vendedor de lâmpadas, lamentava a queda de 70% nos negócios. “Sem luz, ninguém quer lâmpada. Além disso, a escuridão está me fazendo fechar mais cedo, umas 16h30”. Dono de uma tabacaria na Saara, o comerciante Luiz Rogério, 35, temia a perda do estoque de importados. “Sem o ar-condicionado funcionando, os charutos podem estragar”, explicou ele, calculando em cerca de R$ 25 mil o prejuízo caso sua mercadoria seja inutilizada.

Em meio às lamentações, teve quem comemorasse a escuridão. Hugo Oliveira, 24, sócio da loja Três Irmãos da Saara, faturou com a alta nas vendas das luzes de emergência. “Estamos vendendo cinco vezes mais. Temos de todos os preços: R$35, R$40 e R$50”, anunciava.

Comerciantes prometem ir à Justiça

Indignados com as perdas causadas pelos sucessivos apagões, comerciantes do Centro prometem recorrer à Justiça para serem ressarcidos pela Light. Ontem, o presidente da Saara, Ênio Bittencourt, recolheu assinaturas de dezenas de lojistas afetados. “Nossos advogados vão ingressar com uma ação o mais breve possível. Os prejuízos foram enormes e vamos lutar para receber o dinheiro de volta”, afirmou.

Os comerciantes Gilmar da Veiga e Alexander dos Anjos da Silva, que dividem um mesmo espaço para a barbearia Salão Arte Visual e o chaveiro Rosa de Sharon, na Rua Miguel Couto, também acionaram advogados para saber como recorrer dos prejuízos sofridos. “Nós estamos perdendo mais de R$ 3 mil de faturamento por causa dessas quedas de energia. Nossa conta está em dia e não merecemos esse tipo de tratamento. A Light não explica nada nem dá previsão de nada direito”, disse Gilmar, dono da barbearia.

AS PERDAS NA PONTA DO LÁPIS

GERADOR DE R$ 540

Dono da papelaria Papel.com, na Rua da Alfândega, Cícero Cabral, comprou um minigerador de R$ 540. Segundo ele, as vendas caíram 95% com a falta de luz. O prejuízo dele em dois dias foi de R$ 9.500. Pelas regras da Aneel, o ressarcimento (considerando o tempo de tolerância de 4 horas e 21 minutos ao mês para apagões no Centro) será de R$ 264, ou seja, 2,77% das perdas e abatimento mínimo na conta de luz, que foi de R$ 1.576,87 no último mês.

BUFFET À LUZ DE VELAS

No restaurante Via Bueno, o faturamento caiu 70%. O gerente Paulo Henrique fez desconto no quilo, mas o calor espantou a clientela. Ontem, funcionou à luz de velas. As perdas nos dois dias foram calculadas em R$ 7 mil, mas o ressarcimento previsto para as 31 horas e meia sem luz é de R$ 420, correspondentes a só 6% do seu prejuízo.

1,6% DAS PERDAS

Dona da loja de revelação Jap Color Digital, na R. Uruguaiana, Elma Calheiros perdeu R$ 8 mil por dia, além de diversos documentos de clientes. Deverá receber da Light, em compensação pelo serviço não prestado nos dois dias, só 1,66% do rombo. Ela ainda teme que seus equipamentos, no valor de R$ 150 mil, tenham queimado. “Meu sistema é todo informatizado. Sem energia, nada funciona. Pago minha conta em dia e não espero esse serviço precário da Light”, revolta-se.

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