Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 26 de março de 2010

'Renato Russo: duetos', um tributo que tem cara de insulto

Concordo com Antônio Carlos Miguel.

Quem autoriza esses discos caça-níqueis é o único herdeiro de Renato Russo: Giuliano Manfredini. E ele ainda disse que não viveria do espólio do pai...

Como muita gente leva este lançamento em alta consideração, isso mostra que Renato morto está muito mais vivo que os pseudo-talentos de hoje em dia. Por outro lado, isso é também uma amostra do desespero da agonizante gravadora EMI.

Fonte: O Globo.

Plantão Publicada em 25/03/2010 às 08h59m
Antônio Carlos Miguel

RIO - Renato Russo deve estar se revirando no túmulo com "Duetos" (EMI), CD caça-níqueis que se aproveita de mais uma efeméride. Dos 15 encontros do projeto concebido pelo pesquisador Marcelo Fróes, sete não aconteceram, os convidados botaram suas vozes depois, a partir das gravações de Russo. Sendo que dois desse duetos falsos aproveitam registros distintos, reunidos na mesa de edição: "Cathedral song"/"Catedral" é o "dueto" pioneiro, montado em 2003 para outro disco-insulto, "Renato Russo presente", juntando as gravações de Russo (no CD "The Stonewall Concert Celebration") e Zélia Duncan (em sua estreia) para o sucesso de Tanita Tikaran; enquanto "Vento no litoral" traz base instrumental nova, a cargo do produtor Clemente Magalhães, acompanhando as vozes de Russo (de uma fita de 1991) e Cássia Eller (de um tributo ao "legionário", em 1999).

Pode até soar bonito, a edição é bem-acabada, e muitos discos de duetos recentes são gravados sem que os cantores dividam o mesmo estúdio, mas no caso de um artista morto esse tipo de álbum é eticamente questionável. Como os herdeiros de Russo permitiram isso? Como Caetano (em "Change partners"), Leila Pinheiro (em "Solitudine"), Fernanda Takai (em "Like a lover", versão de "O cantador"), Laura Pausini (na sua "Strani amore") e Célia Porto ("Come fa un'onda", versão italiana de "Como uma onda") concordaram em participar?

Além dos sete falsos duetos, o disco traz oito reais, alguns saídos de precários registros ao vivo. Valem pela curiosidade: é o caso de "Summertime", com Cida Moreira, de uma fita cassete com o show da cantora e pianista em Brasília, em 1984; de "Nada por mim", com Herbert Vianna, do especial "Paralamas & Legião", produzido para a TV Globo em 1988. Ou o inusitado - pelas diferenças de geração e estilo - encontro com Dorival Caymmi, no samba-canção "Só louco", tirado do programa de TV "Por acaso", de José Maurício Machline, em 1994. Dessa mesma fonte veio o com Adriana Calcanhotto, em "Esquadros".

A coletânea ainda reúne participações de Russo em discos de outros artistas: Paulo Ricardo (em "A cruz e a espada"), Erasmo Carlos ("A carta") e Flávio Venturini e 14 Bis ("Mais uma vez"). Há também um encontro com Marisa Monte, em "Celeste", apresentado como um dos trunfos de "Duetos". Na verdade, trata-se do rascunho da parceria dos dois "Soul Parsifal" (lançada pela Legião em "A tempestade", de 1996). Fãs vão gostar de ouvir a fita DAT que estava guardada nos arquivos de Marisa, mas "Celeste"/"Soul Parfisal" é canção esquecível, caso no qual a soma do talento dos dois ficou perto do zero.

Um comentário:

  1. Oi.... acorda... Você acha mesmo que a gravadora EMI e Marcelo Froes vão ficar milionários com este projeto. Vê-se claramente que não entendes nada de negócios.
    O Antônio Carlos Miguel derrepente quis dar uma de médium, psicografando o que o Renato acharia ou deixaria de achar.
    Pelo menos nós, os artistas, investimos o nosso carinho no projeto, assim como Giuliano. Que é lógico, é filho dele e tem todo direito, inclusive financeiro.

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