Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ônibus a mil por hora e passageiros inertes

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
Mas pra quê o prefeito reprimirá as cavalgaduras dos volantes dos ônibus? Afinal, turistas, jornalistas e atletas estrangeiros não pegam esses ônibus assassinos do Rio...

E, pra desgosto do prefeito, nem devem reparar nesses horrorosos ônibus com pintura padronizada que a anta PMDBista quer implantar na cidade.

Fonte: O Globo.

Ônibus a mil por hora e passageiros inertes

Publicada em 27/02/2010 às 21h29m
O Globo

RIO - Toda vez que é a última a saltar do ônibus, a pensionista Marilda de Souza Andrade, de 70 anos, se desespera. No dia 12 de novembro do ano passado, enquanto ia para o Fundão fazer um tratamento de saúde, ela foi arrastada por quatro metros, pendurada na porta de um coletivo. Mais uma vítima da combinação entre imprudência dos motoristas e excesso de velocidade: de outubro de 2009 para cá, somente na Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa de Terceira Idade foram registrados outros sete casos semelhantes, mais de um por mês. É o que mostra a reportagem de Ruben Berta, publicada no Globo, na edição deste domingo.

- Não culpo só os motoristas. A verdade é que deve haver uma pressão grande por parte das empresas para que eles cumpram horário, e aí andam feito loucos. Existem bons profissionais, mas muitas vezes os idosos vivem situações humilhantes. Eu prefiro ser independente, não depender dos meus filhos para me levar aos lugares, mas ao viver uma situação como esta a gente fica traumatizada - diz Marilda.

Vídeo: Flagrante de alta velocidade no Aterro do Flamengo

Na tarde da última quarta-feira, repórteres do GLOBO fizeram quatro viagens de ônibus pelo Aterro do Flamengo, pista de alta velocidade, para acompanhar a reação dos passageiros enquanto o motorista pisava no acelerador. Um deles, da linha 132 (Central-Leblon), passou dos 100km/h no trecho em que o limite é 90km/h. Nas curvas, a sensação era que por pouco o veículo poderia virar. Ao se aproximar do radar, o motorista freou bruscamente. Mas, dentro do coletivo, ninguém esboçava reação.

- Acredito que seja um comodismo do usuário. Ninguém pode se sentir confortável numa situação como esta. Não acredito que as pessoas se sintam seguras; apenas não reclamam. O mau condutor de um carro está sozinho ou com algumas pessoas dentro do carro. Mas o profissional que dirige um ônibus carrega 50, 60 pessoas. Como pode agir de forma irresponsável? É algo que pode causar danos absurdos - avalia Fernando Diniz, presidente da ONG Trânsito Amigo, que reúne parentes e amigos de vítimas do trânsito.

Em 2009, o Disque-Transportes (2286-8010), canal de denúncias da Secretaria municipal de Transportes, registrou 4.256 reclamações contra ônibus na capital, média de mais de 11 por dia. O número supera as queixas contra Kombis e vans (1.036) e táxis (2.270). Já o Detro registrou 186 reclamações específicas sobre direção perigosa de motoristas de ônibus intermunicipais ao longo de 2009.

A pensionista Marilda Andrade conta que estava num ônibus da linha 233 (Barra-Rodoviária) quando foi arrastada, ao descer do ônibus. Ela ficou com metade do rosto ensanguentado. Até hoje carrega os óculos quebrados como uma triste lembrança do acidente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário