Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 15 de março de 2010

O cyberpití de Hugo Chávez

Fonte: O Globo.

Com redes de televisão na mira, Hugo Chávez defende agora regras para a internet
Publicada em 14/03/2010 às 11h15m
O Globo

CARACAS - Ao criticar um site local de notícias que dias atrás difundiu a informação sobre o falso assassinato de um de seus ministros, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse no sábado que a Internet precisa ser regulada no país. Chávez também questionou a liberdade da televisão por assinatura.

- Li uma declaração da chanceler alemã, Angela Merkel. Ela disse algo muito correto, que a internet não pode ser uma coisa livre onde se faça e se diga o que quer que seja. Cada país tem que aplicar suas regras e normas - disse o presidente em um ato do partido oficial, o PSUV.

Referindo-se a canais de TV a cabo, Chávez disse:

- Os canais que entram na Venezuela por satélite não podem transmitir o que quiserem, envenenando a mente de muita gente, precisamos de regulação, de leis.

O presidente comentou que o site noticiasdigitales.com publicou durante dois dias informações que relatavam um ataque fictício a seu ministro de Obras Públicas e aliado próximo, Diosdado Cabello, que ainda é presidente da Conatel, órgão regulador das telecomunicações.

- Temos que trabalhar nisso. Vamos pedir apoio do promotor e da promotoria, porque isso é um delito. Tenho informação de que essa página periodicamente publica apelações de golpe de Estado - acrescentou o militar aposentado.

O Noticiero Digital, um popular canal de notícias e comentários críticos na Venezuela, acusou neste domingo o presidente venezuelano de estender sua perseguição contra a mídia independente.

"Esta acusação constitui uma grave ameaça à liberdade de expressão", disse um comunicado no site.

A direção do portal, porém, reconheceu que os textos mencionados por Chávez continham "rumores falsos" e anunciou que está "tomando medidas para que este tipo de situação não volte a ocorrer". Os textos foram retirados do ar horas depois de serem veiculados.

Há três anos, a Venezuela negou a concessão para transmitir em sinal aberto o canal RCTV da oposição, que no final do ano passado foi tirado do ar da rede por assinatura por pedido da Conatel, que fechou ainda 64 emissoras de rádio.

Opositores do governo disseram temer que Chávez siga as linhas de controle de internet de alguns de seus aliados políticos e comerciais como a China, Irã ou Cuba. Até o momento, o presidente não deu sinais desse tipo e inclusive convidou seus seguidores que inundem as redes sociais como o Twitter para difundir a revolução socialista que ele defende.

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