Política, cultura e generalidades

sábado, 13 de março de 2010

Eleição de Dilma sob ameaça


É o que insinua Pedro do Coutto. O colunista não escreveu isso num jornaleco desses do PiG que os esquerdistas criticam sem moral alguma para tal (ao meu ver, o PiG está até sendo bonzinho com a esquerda, pois o PiG devia bater até sangrar, e vice-versa). Foi na Tribuna da Imprensa do nacionalista Hélio Fernandes.

Fonte: Tribuna da Imprensa.

sábado, 13 de março de 2010 06:59

Silêncio pode ter custado o segundo turno

Pedro do Coutto

O silêncio do
presidente Lula à morte por greve de fome do dissidente cubano Orlando Zapata, ocorrida em Cuba, por vir a custar a disputa ao segundo turno por parte de sua candidata Dilma Rousseff, tão forte foi a reação brasileira e internacional quanto à vida humana, após 82 dias de prisão. No que se trata apenas de uma reação política, mas de uma reação humana contra um preso político cuja única acusação era a de ser um dissidente castrista cujo governo de Havana hoje está entregue a seu irmão, Raul. Não pode haver tortura pior e mas continuada do que esta quando alguém se deixa morrer de inanição resistindo até aos apelos do próprio organismo. Já houve casos, como na Inglaterra quando a primeira ministra Margareth Tachter determinou a alimentação forçada de prisioneiros para exatamente impedir o desfecho que aconteceu em Cuba.

Todos os jornalistas escreveram sobre o assunto, entre eles Clóvis Rossi, Eliane Catanhêde, Carlos Heitor Cony, Dora Kramer, entre outros. Poucas vezes se percebeu tal unanimidade, sobretudo marcada de um lado pela covardia de, outro pelo estoicismo. A pergunta que cabe é como se deixa alguém morrer através de um suicídio lento e doloroso. O exemplo não poderia ser pior, sobretudo para alguém como Lula, em 1970, esteve prisioneiro no Brasil, exatamente em função de uma greve de metalúrgicos em São Paulo. Naquele tempo, a esquerda fidelista era a favor das greves. Hoje, é contra. Até mesmo à que leva a morte pela fome depois de 82 dias. O silêncio brasileiro foi vergonhoso! Nem uma só palavra de abafamento, como as que se ouviram em países em que brasileiros transportando tóxicos foram detidos e condenados. Nenhuma palavra como a proferida a favor do italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro homicídios. Nenhuma palavra contra a morte por seqüestro. Não se concebe a comparação entre uma atitude e outra.

O que terá passado na cabeça do governo brasileiro? Não haveria necessidade de uma manifestação quantas são feitas ao redor do mundo. Nada. Só silêncio como resposta. Há outros cubanos em greve de fome. Nenhum por crimes políticos. Apenas em função de uma dissidência que ocorre em qualquer parte do mundo. Até na URSS de Kruschov, o poeta Soljenitz foi condenado por ter escrito contra o regime, o Arquipélago Gulag. Conhece-se mortes semelhantes na Alemanha de Hitler, acompanhados de queima de livros. Na China, nem a dissidência foi punida pela morte pela fome. Temos um procedente cubano, que há 51 anos atrás lutou exatamente pela liberdade e pelos cárceres imundos do governo de Fulgêncio Batista. Hoje, mais de meio século depois, Fidel e Batista se encontram numa esquina da história. Os métodos não mudaram. Os papéis se inverteram. O herói de Sierra Mestre de ontem, que foi capaz de enfrentar a estúpida invasão da Ilha dos Porcos transforma-se em um ditador igual ao do passado. Mas com uma diferença. O silêncio brasileiro em ano eleitoral, ainda por cima.

Com isso, uma eleição que parecia ganha por Dilma Rousseff, transformou-se numa dúvida no segundo turno. Política é assim. O que parece decidido ontem pode mudar amanhã. Depende dos rumos tornarem os fatos de hoje.

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