Política, cultura e generalidades

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Urina dos foliões ameaça Arcos da Lapa

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
Fonte: O Dia.

09.02.10 às 01h34 > Atualizado em 09.02.10 às 03h41

Urina dos foliões ameaça Arcos

Árvores, monumentos, bancas de jornal e até a água do mar também sofrem com o xixi. Nos dois últimos fins de semana, 62 mijões foram detidos por agentes da Prefeitura do Rio. Só a recuperação de um elevado custou R$ 35 mil

POR BRUNA TALARICO

Rio - Não é apenas o nariz dos transeuntes que sofrem com o xixi dos colegas foliões na rua. A urina dos preguiçosos está danificando árvores, sujando o mar e destruindo o monumento-símbolo da história da boemia carioca. Os Arcos da Lapa correm o risco de ruir, depois de séculos do tiro ao alvo porcalhão, alertam especialistas.

“Os Arcos, assim como prédios antigos e igrejas, são os que mais sofrem com o xixi do homem. Além da acidez da urina, essas construções estão sujeitas aos produtos abrasivos para remoção do cheiro forte, que atacam muito a estrutura. Essas edificações, que têm conservação delicada, com intervalo grande de tempo entre uma intervenção e outra, correm sério risco de ruir”, explica Pablo Benetti, arquiteto da UFRJ.

Na semana passada, começou a avaliação dos Arcos para obras de restauração. A expectativa é que, logo após o Carnaval, se iniciem as obras, orçadas em R$ 1,2 milhão.

Nos dois últimos fins de semana, a repressão aos mijões no Rio levou 62 pessoas a delegacias. Elas foram flagradas por agentes da Secretaria de Ordem Pública urinando em locais públicos e vão responder por atentado ao pudor. Cerca de 90% das detenções ocorreram nos arredores do Sambódromo e em ruas da Lapa. Só na madrugada de ontem, 9 foram levados para a 6ª DP (Cidade Nova) e enquadrados também por ato obsceno e importunação ofensiva ao pudor.

Viadutos, bancas de jornais e árvores também são vítimas do xixi, que deixaram doentes 23 palmeiras imperiais perto dos Arcos. “Se for prender gente fazendo xixi na rua durante o Carnaval do Rio, vão faltar lugares nas delegacias”, queixou-se o camelô José Ferreira da Costa, 51 anos, flagrado urinando na Rua do Lavradio.

Viadutos são castigados

O Elevado Rufino Pizarro, em São Cristóvão, teve dois pilares recuperados pela corrosão decorrente da urina. A obra custou R$ 35 mil. Por conta dos mijões, a Murada da Glória, as paredes do Teatro Municipal e as esculturas da Praça Tiradentes passaram por restauração. “Essas construções são compostas de pedra e ferro fundido, materiais que reagem com a urina. O granito desfolha em contato com o ácido úrico, e os postes metálicos sofrem corrosão”, justifica o arquiteto Roberto da Luz, do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.

PRAIA VIRA BANHEIRO DE FOLIÕES

Com a proibição de urinar nas ruas, muitos foliões dos blocos da orla elegeram o mar como banheiro. Segundo Haroldo Lemos, presidente do Instituto Brasil Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), essa prática pode ser um dos vilões que tornam o banho desaconselhável em alguns trechos da orla.

Relatório do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) atesta que Leme, Leblon e Ipanema têm trechos impróprios para o mergulho. Justamente os pontos que concentram a folia no fim de semana. “Como não choveu nesses dias, algum outro fator estranho aconteceu. Um número tão grande de pessoas urinando no mesmo lugar pode fazer diferença”, explica Haroldo.

Fatima Soares, do Inea, diz que não há como medir a presença da urina no mar, mas reforça que “a prática é um desrespeito a um ambiente comum”.

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