Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Trabalhadores do PAC metralhados no Alemão

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
Aí, Dona Dilma! PiriPAC não resolve nada!

Fonte: O Dia.

Trabalhadores do PAC metralhados no Alemão

Três operários foram mortos a tiros e outro foi ferido quando chegavam para trabalhar. Para a polícia, eles foram assassinados por bandidos e confundidos com traficantes rivais

POR MARIA INEZ MAGALHÃES

Rio - Três funcionários da Lafarge, uma das maiores produtoras de materiais de construção do Brasil, foram mortos a tiros e um empregado foi baleado ontem, às 7h, quando chegavam para trabalhar na pedreira da empresa, em Inhaúma, próximo à Fazendinha, no Complexo do Alemão. Segundo a polícia, as vítimas teriam sido confundidas por traficantes como criminosos rivais, embora a Saveiro branca em que estavam, tivesse uma bandeira no teto do carro e logotipo da Lafarge, na área há mais de 20 anos.

A empresa é uma das fornecedoras de concreto para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Há informações ainda de que o carro em que estavam as vítimas não era o que geralmente usavam, o que teria levantado suspeitas dos criminosos. No local, funciona uma unidade de mineração da Lafarge, de onde são extraídas britas. “Foi uma ação covarde de traficantes. Vamos fazer operação no entorno para evitar conflitos e manifestações”, disse o comandante do 16º BPM (Olaria), tenente-coronel Antônio Jorge.

Entre as vítimas, duas eram prestadoras de serviço e duas, funcionárias. Outra versão é que os responsáveis pelos disparos teriam sido policiais que estariam de tocaia para pegar traficantes que costumam passar pelo local. Entre os alvos, estaria Fabiano Atanázio da Silva, o FB, dono do tráfico no Alemão e Vila Cruzeiro. Ao perceberem que atingiram trabalhadores, teriam atirado para matá-los como queima de arquivo. Mas a versão não foi confirmada pela polícia.

Funcionário da empresa Lafarge, William Siqueira Guimarães, 33 anos, que estava na carroceria, escapou. Baleado no joelho direito, ele ficou escondido no mato até ser socorrido. William foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas foi transferido para um hospital particular e passa bem. Fábio de Lima Andrade, 46, motorista da empresa que estava uniformizado, e Gildázio Ferreira dos Anjos, 62, oficial de manutenção, morreram no local.

Uma vítima foi identificada apenas como Pedro. Uma delas estava a poucos metros do carro, o que indica que tentou correr. Para fazer a perícia e retirar os corpos do local, oito horas depois do ocorrido, a Polícia Militar teve de usar o blindado. Houve tiroteio e o carro foi levado para a Lafarge. Traficantes arremessaram até granadas. Em nota, a empresa lamentou o fato e informou que está auxiliando as famílias e colaborando com a polícia.

Complexo, 12 favelas e área mais perigosa

O Complexo do Alemão, com 12 favelas, é considerado a área mais perigosa do Rio, com a maior e mais bem armada quadrilha. É lá que fica a Vila Cruzeiro, o ‘quartel general’ do Comando Vermelho. Em 2007, em entrevista ao DIA, o governador Sergio Cabral anunciou que, em 2008, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Alemão não haveria mais tráfico. Mas logo depois, traficantes ameaçaram expulsar e até matar moradores que queriam trabalhar no PAC. Em 2007, operação no Alemão deixou 19 mortos vários feridos. Foi lá que Tim Lopes foi morto quando fazia reportagem.

Fonte: O Globo.

Polícia resgata corpos de operários assassinados no Complexo do Alemão, no Rio

Publicada em 07/02/2010 às 21h08m
Paulo Carvalho, do Extra, e Rafael Galdo

RIO - Policiais do 16º BPM (Olaria) conseguiram resgatar, no início da noite deste domingo, os corpos de três operários mortos de manhã na Pedra do Sapo, na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Segundo testemunhas, os funcionários da empresa Lafarge, que opera uma pedreira no conjunto de favelas, foram mortos por traficantes quando chegavam para trabalhar, numa Saveiro, por volta das 7h. De acordo informações da polícia, os traficantes teriam aberto fogo contra os operários porque os confundiram com bandidos de uma facção rival.
Um quarto homem, o pedreiro William Siqueira Guimarães, de 33 anos, também foi baleado no joelho e fingiu-se de morto para escapar do ataque. Ele foi levado por soldados do Corpo de Bombeiros para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, e não corre risco de morrer. Ele estava na caçamba da Saveiro junto com o oficial de manutenção Gildásio Ferreira dos Anjos, de 62 anos. Na cabine do veículo viajavam dois prestadores de serviços da empresa, o motorista Fábio de Lima Andrade, de 46 anos, e um cozinheiro, que não teve seu nome revelado.

Os quatro fariam um serviço de manutenção não costumeiro na pedreira e estavam chegando para render a equipe da noite. Segundo o coronel Antônio Jorge, comandante do 16º BPM (Olaria), a ação foi comandada por traficantes que de "maneira facínora, atiraram a esmo". O delegado Celso Ribeiro, da 22ª DP (Penha), afirmou que algumas linhas de investigação estão sendo levantadas. Uma delas é a de que os funcionários podem ter sido confundidos com traficantes rivai ou não teriam obedecido a uma ordem de parar.

De acordo com funcionários da Lafarge, todos os carros da empresa são identificados com logotipo nas portas e uma antena com uma bandeira verde. Esse procedimento é tomado exatamente para evitar problemas com traficantes da região. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a pedreira funciona no local há mais de 20 anos e até hoje nenhum episódio semelhante havia acontecido no conjunto de favelas. A Lafarge trabalha com mineração de brita - produto que ajuda na fabricação de concreto.

Mais cedo, foi divulgada a informação de que a Lafarge fornecia material para várias obras, incluindo as do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). No entanto, o diretor-superintendente da Lafarge Concreto & Agregados, Daniel Costa, informa que a unidade da Lafarge de Inhaúma não tem como cliente nenhuma das empreiteiras que trabalham para o PAC.

Para a retirada dos corpos, os PMs do 16º batalhão precisaram da ajuda de um veículo blindado. Eles auxiliaram bombeiros que estavam em um rabecão da Defesa Civil. Enquanto os peritos trabalhavam no local, traficantes efetuaram disparos. Segundo o coronel Antônio Jorge, até mesmo granadas foram arremessadas contra os policiais.

Quando a polícia chegou ao local do ataque, encontrou o carro batido em uma árvore. Dois corpos estavam dentro do veículo. A terceira vítima ainda teria tentado fugir, mas não conseguiu escapar dos disparos de fuzil. Já o sobrevivente foi socorrido na Rua Ministro Moreira de Abreu, um dos acessos à Vila Cruzeiro, para onde fugiu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário