Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Terapia com células-tronco embrionárias provoca tumores no cérebro e na medula espinhal

Uma notícia internacional, pra variar.

Fonte: Associação Cultural Montfort.

Anna Paula Buchalla

Mikhail Metzel/AP

SALADA RUSSA

Em clínicas e hospitais de Moscou, os pacientes funcionavam como cobaias, a exemplo do que aconteceu com o menino israelense

Pela primeira vez, um estudo científico associou o uso de células-tronco fetais ao surgimento de tumores em um ser humano. A vítima é um garoto israelense, de 17 anos, portador de uma doença neurodegenerativa rara, a ataxia-telangiectasia. De origem genética, o distúrbio compromete os movimentos, a fala e tende a evoluir para a paralisia e a morte. Em 2001, aos 9 anos, contrariando a opinião de seus médicos, o menino foi levado por seus pais a Moscou para se submeter a um tratamento sem nenhuma comprovação científica, para conter o avanço da doença: o uso de células-tronco de fetos abortados. Sem apresentar melhoras significativas em seu quadro clínico, ele voltaria ao hospital russo mais duas vezes – uma em 2002 e outra em 2004. No ano seguinte, por causa de fortes dores de cabeça, o menino foi submetido a uma ressonância magnética. Os médicos do Centro Médico Sheba, de Tel-Aviv, encontraram um tumor no cérebro e outro na medula espinhal – justamente os locais onde foram implantadas as células-tronco fetais. Em artigo publicado na última edição da revista científica PLoS Medicine, os médicos relatam que, mediante a análise dos genes dos tumores, encontraram pelo menos duas linhagens diferentes de células. Uma delas era de origem feminina e a outra não apresentava a mutação característica da ataxia-telangiectasia. Ou seja, ambas são fruto das células fetais transplantadas. "Ao que tudo indica, esse rapaz recebeu um coquetel de células-tronco de origens diversas", diz a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo.

Há pelo menos duas centenas de clínicas espalhadas em países como China, Rússia e Ucrânia que se utilizam de células-tronco para o tratamento das mais diferentes doenças, sem nenhum aval da ciência. Algumas vendem até o fim das rugas e da celulite. As células-tronco são aquelas capazes de se transformar em praticamente quaisquer tecidos do corpo humano. As mais versáteis são as embrionárias e as fetais. É delas que esses médicos se valem para vender falsas esperanças a pacientes vítimas de males crônicos e incuráveis. O problema é que até hoje nenhum protocolo sério de pesquisa atestou a segurança dessas terapias em seres humanos. Isso porque tais células se multiplicam de maneira rápida e desordenada, o que pode acarretar o surgimento de tumores, como no caso do garoto israelense. As únicas experiências clínicas válidas foram feitas com células-tronco adultas, retiradas da medula do próprio paciente – o que evita o risco de rejeição e outras complicações. "Os doentes têm, sim, muito a perder com as terapias que não são fruto de pesquisas científicas sérias", diz a geneticista Lygia da Veiga Pereira. As primeiras pesquisas com células-tronco embrionárias em seres humanos, sob estrito controle científico, devem ter início ainda neste ano – nos Estados Unidos e na Inglaterra.

De alto risco e sem o aval da ciência

• Cerca de 200 clínicas e hospitais oferecem tratamentos à base de células-tronco embrionárias e fetais

• Os mais procurados ficam na Rússia, China e Ucrânia

• A maioria dos pacientes é portadora de doenças neurológicas, distúrbios cardiovasculares e doenças genéticas

• 40% desses centros oferecem também tratamentos estéticos, especialmente contra rugas e celulite

Fonte: revista Cell Stem Cell, dezembro de 2008 - reproduzido em
http://veja.abril.com.br/250209/p_082.shtml

Comentário de Lucia Zucchi:

Caro Natanael,
Salve Maria!

Interessantí­ssimo o artigo que você nos envia, por dois motivos: em primeiro lugar, mostra o resultado monstruoso de uma terapia feita para curar uma pessoa à base da morte intencional de outras.

Em segundo lugar, olhe quem está falando contra o uso de terapias sem comprovação! Mayana Zatz e Lygia da Veiga Pereira não hesitaram, há cinco anos atrás, em levar crianças e adultos em cadeiras de roda no Congresso, para forçar a aprovação de pesquisas com o uso de embriões humanos, dando a essas pessoas uma esperança de cura imediata, como ficou muito claro em seus pronunciamentos da época...

Após a aprovação da lei, elas lembraram de lancar para um futuro, mais ou menos remoto, qualquer chance de cura através de terapia de células tronco embrionárias. Dessa época para cá, ao mesmo tempo em que as pesquisas com células tronco adultas dão resultados cada vez mais concretos e positivos, as terapias com células embrionárias - as que vão funcionar, segundo dizem - ainda estão para ser testadas...

Nenhum comentário:

Postar um comentário