Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Revisionismo histórico no antissemitismo e na música brasileira

Resposta para Perguntas incômodas para a Folha:

Guilherme Scalzilli disse...

Ecos da ditabranda

Passou despercebido pela blogosfera um artigo publicado na Folha sexta-feira passada chamado “Quem tem medo da verdade?” (só encontrei ligação para assinantes). O causídico, certo Cláudio Guimarães dos Santos, insere-se na vertente revisionista que originou o termo “ditabranda”, usado por Marco Antônio Villa no mesmo espaço do jornal.

As duas manifestações têm pontos em comum. Seus autores projetam-se da irrelevância escorados em duvidosa infalibilidade acadêmica. Ambos partem de mistificações para desenvolver suas ignomínias: Villa minimiza as violências praticadas pelo regime militar, enquanto Santos responsabiliza a esquerda por elas.

O que primeiro salta aos olhos é a incoerência desses discursos. O número de vítimas prova que a ditadura foi amena, mas não demonstra a desproporcionalidade de forças perante seus combatentes, muitíssimo menos letais. A ação da guerrilha teria provocado os abusos do regime, enquanto jamais poderia ser justificada por eles.

Mas pouco adianta argumentar com esses pândegos. Seu projeto é fornecer base “científica” para o desafogo moral dos grandes meios de comunicação, que apoiaram a ditadura desde o início (José Arnaldo, âncora da rádio Bandeirantes, disse que o golpe aconteceu porque “estava tudo uma bagunça”).

Em troca, recebem fama e folguedos de um neoconservadorismo ávido por ilusões de legitimidade. Mesmo que tamanhas asneiras permaneçam à espera de consolidação futura, elas ajudam a transportar o debate sobre a Anistia para uma esfera conveniente à direita. Ao instituir a ótica relativista para contrapor o movimento pela condenação de assassinos e torturadores, fica mais fácil vender a saída “intermediária” prevista pelo PNDH: os crimes permanecem impunes para sempre, mas são exumados por um falso tribunal sem efeitos práticos.

Mas não era isso que eles queriam desde o começo?

Marcelo Delfino disse...

O revisionismo histórico em torno da "ditabranda" lembra muito o antissemitismo, que quer revisionar a história do Nazismo. Os revisionistas dizem que as imagens do Holocausto foram produções de Hollywood. Há também revisionismo na história da MPB. Querem impor a música brega, a axé music, o pagrude e o sertanojo para o rótulo de MPB a fórceps.

Nenhum comentário:

Postar um comentário