Política, cultura e generalidades

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os leprosos de ontem e os tucanos de hoje e de amanhã


Fonte: Tribuna da Imprensa.

sábado, 20 de fevereiro de 2010 06:59

O risco de morrer na praia

Carlos Chagas

Pouca novidade trouxe a mais recente pesquisa eleitoral, desta vez a cargo do Ibope. Porque apesar de Dilma Rousseff haver conquistado mais dois pontos percentuais, José Serra continua absoluto como preferido dos consultados. E com o acréscimo de que, na simulação para o segundo turno, sua vitória torna-se mais expressiva ainda. São 47 pontos contra 33.

Apesar de haver crescido, fruto de intensa exposição ao lado do presidente Lula, a candidata dispõe de sete meses para dar a volta por cima, coisa que não conseguiu nos quase dois anos em que freqüenta as preliminares da campanha presidencial. Conquistará maiores percentuais, concluem os observadores, mas a ponto de superar o adversário? Abre-se para ela, por coincidência em meio à festa de seu lançamento, pelo PT, o risco de morrer na praia. Claro que o reverso da medalha torna-se possível. O eleitorado ainda custa a entusiasmar-se. Antes da escolha do novo presidente será realizada a Copa do Mundo, evento bem mais atrativo, desde que a sorte continue a bafejar o Dunga.

Sendo assim, a pergunta que se faz é sobre o que acontecerá no país diante da volta dos tucanos ao poder. Aqui o processo pode tornar-se mais fascinante, porque condena-se a incorrer em grave erro quem supuser o hipotético governo Serra um vídeo-tape do governo Fernando Henrique. O governador paulista jamais reconhecerá de público, talvez nem depois de subir a rampa do palácio do Planalto, mas será bom aguardar, sabendo-se ser ele um adepto da intervenção do estado na economia e um adversário das privatizações ligadas à soberania nacional. Sem falar nas restrições que faz aos conglomerados especulativos. Pedro Malan que o diga, se voltarmos um pouco os olhos para o passado.

Cuidado com os outros

Para continuar no tema, importa completar: o problema do Serra são os outros. Não todos os tucanos, é verdade, pois muitos também repudiam o engajamento da social-democracia no neoliberalismo. Rejeitam a postura adotada por Fernando Henrique Cardoso durante oito anos. O diabo será evitar que o ex-presidente e outros da mesma estirpe venham a considerar-se condôminos do poder, no caso da vitória do governador paulista. Para o caso de FHC, o ideal seria designá-lo representante do Brasil na Unesco e mandá-lo para Paris, com passagem só de ida. E para os que já apregoam a privatização total da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, que tal nomeá-los presidentes dessas empresas? Teriam pudor em aparecer como coveiros da soberania nacional. Ou não?

Resposta:

Puxa, Carlos. Esta foi a melhor análise de um possível novo Governo Federal tendo José Serra como presidente. Eu acredito que, se José Serra afastar a influência da turma de FHC, Malan, Armínio & cia., ele tem condições até de aniquilar o discurso petista de que um tucano na Presidência faria o Brasil voltar pra trás, com a volta do FMI, da privataria, etc. E nem precisaria colocar a ex-petista Marina Silva de vice.

O maior desafio dos tucanos na eleição presidencial deste ano é se livrarem da síndrome de leprosos. Pra quem não sabe, os portadores de lepra na época do Novo Testamento eram pessoas discriminadas, totalmente afastadas do convívio social. Eram inclusive forçados a viver em colônias de leprosos, longe das cidades e aldeias. Teve que vir Jesus para devolver a dignidade para os portadores de lepra.

Eu não sei se haverá um dia algum Jesus para salvar os leprosos, digo, tucanos. E eu não vejo o sr. Serra com cara de redentor do tucanato. Por enquanto, foge-se dos tucanos como se fugia dos leprosos no passado. Os petistas (enrustidos ou não) tacam pedras em cima dos tucanos. Impuro! Impuro! Quando quem traiu a própria História ao chegar à Presidência foram os petistas, não os tucanos. Os petistas buscaram no PSDB seu presidente para o Banco Central. Já os tucanos sempre tiveram uma visão elitista e holística demais da sociedade brasileira, não tão centrada nos pobres (?) ou nos companhêro, como fazem os petistas. Nunca vimos os tucanos falando em pobres e excluídos como fazem os petistas em seus discursos hipócritas. A quantidade de pedintes nas ruas demonstra o total divórcio que há entre o discurso petista e a prática. Falar que acabará com a pobreza é fácil. Assim até eu!

Os tucanos até mencionam os mais pobres, mas com aquela cara de que cuspirão no canto, com nojo, assim que se livrarem dos olhos alheios e das câmeras.

Vejamos no que vai dar essa eleição de 2010. Já que os demais partidos farão apenas figuração, o Fla-Flu ficará mesmo entre os petistas e os tucanos. Com duas diferenças em relação aos Fla-Flus anteriores: Lula não estará na urna eletrônica e os tucanos terão a chance de redenção. Ou de danação eterna.

Um comentário:

  1. OLÁ MARCELO.
    A "OPOSIÇãO" JÁ TEM CANDIDATO?
    CARA NUNCA UMA OPOSIÇÃO TÃO MEDÍOCRE. QUEM TEM UMA OPOSIÇÃO COMO ESSA NÃO P´RECISA DE BASE DE BAJULAÇÃO.
    ABS DO BETOCRITICA.

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