Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O caso Dirceubrás

PT
Essas trapalhadas de Zé Dirceu podem causar mais estragos que as trapalhadas dos emocratas de Brasília na campanha do futuro candidato presidencial tucano.

Fonte: Rede de Blogs pela Democracia, reproduzindo O Globo.

Temor é respingar em Dilma

Planalto avalia que negócios de Dirceu podem afetar candidatura

Gerson Camarotti

BRASÍLIA. O Palácio do Planalto classifica como perigosos os negócios de consultoria do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu envolvendo informações de governo. A avaliação de ministros próximos ao presidente Lula nas últimas semanas passou a ser o centro de uma preocupação mais ampla de integrantes do núcleo do governo, após notícia de que Dirceu teria recebido R$620 mil por consultoria para o empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas, nas Ilhas Virgens. A empresa é sócia da Eletronet, companhia praticamente falida que seria beneficiada com o Plano Nacional de Banda Larga, por meio do qual a Telebrás poderá ser reativada.

O grande temor é que a ação empresarial de Dirceu possa criar vulnerabilidades à candidatura presidencial da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Tanto ministros como integrantes da cúpula do
PT ouvidos pelo GLOBO demonstraram forte constrangimento com as ações do ex-ministro, num momento em que ele retoma visibilidade política ao ser eleito para o Diretório Nacional do partido.

Seu poder de estrago cresceu na mesma proporção. Segundo um ministro, o impacto do lobby na Eletronet só não teve dimensão maior porque o negócio não foi concretizado. Um auxiliar de Lula disse que é praticamente impossível barrar os contatos de Dirceu com integrantes do governo:

- Quem quiser pagar pelo trabalho de consultoria de Dirceu pode pagar. Mas é uma aposta de risco, porque nem tudo o que ele fala é certo.

DEM pede criação de CPI para investigar o caso

Uma fonte do Palácio deixou claro que houve surpresa com o novo tentáculo de Dirceu (a banda larga) e pelo fato de ele deixar de circunscrever sua consultoria a negócios no exterior. O governo tem consciência de que, na condição de ex-ministro, Dirceu tem informação de muitos setores da administração federal e que pode usar isso para fazer negócios. Além disso, ele tem o mapa da mina dos principais interesses privados junto ao Executivo, pois, até julho de 2005, quando caiu após o escândalo do mensalão, coube a ele, como chefe da Casa Civil, receber e dar encaminhamento às principais demandas empresarias. A aproximação com banqueiros, empresários e lobistas foi uma praxe na sua gestão.

- Esse tipo de negócio de Dirceu é o preço pelo seu silêncio. Uma pessoa que detém os segredos que ele tem, assumindo a culpa sozinho, se torna muito poderosa - disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

- José Dirceu está há cinco anos fora do governo. Pode ser contratado por qualquer empresa do Brasil ou internacional para dar consultoria - rebateu o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Já o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), defendeu a criação de uma CPI Mista da Telebrás para que sejam apuradas a ação de Dirceu e a valorização das ações da estatal desde 2006, quando começou o suposto vazamento de informações sobre a possível reativação da Telebrás. O DEM pediu ainda apuração rigorosa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para Bornhausen, Dirceu "foi, é e continuará sendo o cara (no PT)".

Membro da base do governo no Senado, Renato Casagrande (
PSB-ES) vai propor hoje, na reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, a convocação do ministro das Comunicações, Hélio Costa, e de representantes de entidades empresariais.

COLABORARAM Cristiane Jungblut e Maria Lima

Fonte: Rede de Blogs pela Democracia, reproduzindo Folha de S. Paulo.

Dirceubrás

Fernando de Barros Filho

FOLHA DE S. PAULO em 24/02/2010

SÃO PAULO - José Dirceu tem um blog -o "blog do Zé". Ele o define como "um espaço para a discussão do Brasil". Discutindo o Brasil como quem não quer nada, Dirceu escreveu o seguinte:

"Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet, uma rede de 16 mil quilômetros de fibras óticas" etc. etc. etc.

Este é um assunto caro a Dirceu. Seu primeiro post sobre o tema é de março de 2007. Por coincidência, o mesmo mês em que o empresário Nelson Santos contratou seus serviços de consultoria. Ficamos sabendo disso só ontem, pela reportagem de Marcio Aith e Julio Wiziack.

Em 2005, Nelson Santos, dono da "offshore" Star Overseas, sediada nas Ilhas Virgens, havia comprado pelo valor simbólico de R$ 1 a participação em uma empresa à época falida -a Eletronet. Entre 2007 e 2009, o empresário pagou a Dirceu R$ 620 mil por consultorias. Se a Telebrás for reativada, como anuncia o governo, o mesmo bidu que desembolsou R$ 1 pela Eletronet pode sair dela com R$ 200 milhões. Diante disso, o que Santos gastou com Dirceu é fichinha -ou não?

O ex-ministro da Casa Civil de Lula diz que a consultoria versava sobre os "rumos da economia na América Latina". Sabemos que Dirceu não mente. Usou na vida várias máscaras, mas a palavra é uma só.

O homem de negócios e o revolucionário convivem numa boa na pessoa de Zé Dirceu. O capitalismo de Estado e os interesses privados nele se acomodam harmonicamente. Ele é o "bolchebusiness" perfeito. Não há contradições insolúveis no horizonte de um democrata que se mira em Cuba ou de um socialista que topa tudo por dinheiro.

Durante o congresso do PT, vários oradores usaram o microfone para inflamar os companheiros contra o fantasma do "modelo neoliberal". Ninguém lembrou de levantar a voz contra o "modelo neopatrimonialista".

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