Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Light deixa cariocas no escuro

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
O Dia tem que aprender a fazer as manchetes corretas, sem esconder os verdadeiros culpados. Mesmo que sejam empresas poderosas e monopolistas como a Light.

Fonte: O Dia.

Calor deixa cariocas no escuro

Light admite apagão em bairros do Rio e da Baixada e atribui falha a consumo excessivo devido às altas temperaturas

POR MARIA LUISA BARROS

Rio - O Rio voltou a enfrentar apagões. Ontem, a interrupção no fornecimento de energia atingiu residências e comércio nos municípios de Itaguaí e Seropédica e em seis bairros das zonas Norte (Bonsucesso, Tomás Coelho, Barros Filho e Ilha do Governador) e Oeste do Rio (Paciência e Gardênia Azul). Na véspera, moradores da Tijuca ficaram mais de 40 horas sem energia. A falta de luz já havia afetado, quarta-feira, trechos em Jacarepaguá, Bonsucesso, Ramos, além de ruas dos municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

A Light afirmou que janeiro foi o mês com o maior consumo desde 1999. A empresa diz que ligações clandestinas (‘gatos’) e o aumento do consumo, devido à aquisição de novos eletrodomésticos são as principais causas da interrupção no fornecimento.

O consumo residencial aumentou 33% nos lares onde as famílias adquiriram novos aparelhos de ar-condicionado. Já as ligações clandestinas correspondem, segundo a concessionária, a 20% da energia fornecida pela Light. Segundo a distribuidora, é preciso chamar eletricista para verificar as instalações, pois mais de 70% dos atendimentos são para ocorrências individuais de clientes.

Moradora do Grajaú há 12 anos, a fonoaudióloga Maria Nólia de Lacerda, 69 anos, nunca sofreu tanto com a falta de luz no bairro. Só esta semana foram duas vezes, o que a fez perder mais de R$ 100, o valor das compras que estragaram por falta de geladeira. Por causa do calor, Maria “se hospedou” na casa da irmã, que também mora no Grajaú, mas na parte em que dificilmente falta luz: “Perdi frutas, carnes e tudo o que estava na geladeira. Além disso, é insuportável ficar em casa sem ventilador”.

Na quarta-feira, equipes de emergência da Light atuaram ainda em várias ruas e avenidas de Vila Isabel, Tijuca, Jacarepaguá e Bento Ribeiro, na Zona Norte, Botafogo, na Zona Sul, além de trechos de vias de Bonsucesso, Cascadura, Piedade, Ramos, Pilares, Pavuna e Irajá.

Consumidores vão à Justiça contra concessionária

Moradores dos bairros afetados pela queda de energia elétrica vão buscar na Justiça o ressarcimento pelos danos morais e materiais, previsto só para março, como noticiou ontem O DIA. O Centro de Cidadania em Defesa do Consumidor (Acecont) prepara uma ação civil contra a concessionária Light.

Desde segunda-feira, o órgão recebeu mais de 104 ligações de consumidores reclamando da falta de luz. “A compensação deve ser feita em forma de desconto na fatura do mês seguinte ao problema”, explica o diretor jurídico da Acecont, Marcos Zumba. A Acecont notificou a distribuidora exigindo o restabelecimento imediato de energia elétrica em Nova Iguaçu, Tijuca e Andaraí. “A resolução 456 da Aneel determina que a energia elétrica precisa ser religada em no máximo quatro horas, e a grande maioria desses usuários estava ou está sem luz há mais de 39 horas. Isso é um absurdo”, disse Zumba.

O Disque-Concessionárias, criado pela Acecont para receber denúncias e reclamações de concessionárias, atende de segunda à sexta-feira, das 10h às 18h, no telefone (21) 3902-0956.

Fonte: O Dia.

Moradores fecham ruas em protesto contra apagão

Na Zona Oeste, comunidade está há uma semana sem energia. Comerciantes amargam prejuízos com alimentos estragados e têm que fechar as portas

POR FRANCISCO EDSON ALVES

Rio - Os constantes apagões em comunidades estão gerando uma onda de protestos na cidade. Na noite de quarta-feira, moradores da Favela da Metral, perto da Vila Kennedy, em Bangu, ameaçaram fechar a Avenida Brasil, depois de incendiar pneus na pista auxiliar, na altura do nº 35.760, sentido Zona Oeste. Policiais do Batalhão de Polícia Rodoviária conseguiram contê-los.

Revoltados, após cerca de uma semana sem luz, mais de 200 moradores tentaram continuar a manifestação no início da manhã de ontem, mas foram impedidos de novo pela polícia. No início da tarde, a energia já havia sido restabelecida pela Light.

Na mesma noite de quarta-feira, moradores da comunidade Asa Branca, no Recreio, também na Zona Oeste, fecharam a Av. Salvador Allende, no nº 2.700. Indignados, atearam fogo a entulhos, depois de 48 horas às escuras. Já moradores do bairro Jardim Letícia, em Campo Grande, planejam atos semelhantes nos próximos dias. “Não aguentamos mais tantos apagões! O último durou quatro dias, de quinta a segunda-feira. Tive prejuízo de mais de R$ 150 com carnes e alimentos que estragaram na geladeira”, contou Braz Caetano de Abreu, 49, que mora na Rua Renato Leite Silva e mantém estoque de velas em casa.

Em tempos de apagão no Rio, o prejuízo não tem endereço certo. No Grajaú, bastaram quatro horas de apagão, na terça-feira, para que o comerciante Mário Augusto Alves, 68 anos, perdesse mais de R$ 5 mil. Proprietário de um açougue, ele precisou fechar a loja. “Nossa câmara frigorífica suporta até 15 horas sem luz sem que haja risco de estragar as carnes. Mas, se faltar eletricidade, não posso mais abrir a porta do frigorífico. Então, a saída foi fechar o açougue e amargar o prejuízo. Espero providências da Light, porque tenho funcionários e famílias para sustentar”, reclamou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário