Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Calouro do curso de veterinária é obrigado a beber álcool combustível durante trote em SP

Esses que fazem trotes são os futuros líderes do Brasil.

Fonte: O Globo.

Calouro do curso de veterinária é obrigado a beber álcool combustível durante trote em SP

Publicada em 02/02/2010 às 19h44m
O Globo, Bom Dia São Paulo

SÃO PAULO - Um calouro do curso de veterinária da Unicastelo, em Fernandópolis, cidade a 563 quilômetros de São Paulo, foi obrigado a beber álcool combustível durante o trote da universidade. O estudante de 18 anos, que não quer se identificar, foi levado ao hospital pelos familiares. Além de ser obrigado a beber álcool, o rapaz teve as roupas rasgadas e disse ter levado tapas na cara dos estudantes do 5º ano do curso. O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício à Unicastelo com pedido de explicações sobre o caso.(Leia também: Calouro é agredido em faculdade da Zona Sul de São Paulo )

Colegas do calouro do curso de veterinária da Unicastelo obrigado a beber álcool combustível durante trote em Fernandópolis, cidade a a 563 quilômetros de São Paulo, disseram à polícia que foram forçadas a tirar a calcinha pelos veteranos. Até agora foram ouvidos quatro estudantes da universidade.

- As calouras contaram que foram obrigadas a tirar a calcinha, além de forçadas a beber e fumar - disse o delegado Gerson Piva, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Fernandópolis.

O delegado acredita que entre 10 e 15 alunos participaram dos trotes violentos contra as alunas e o estudante de 18 anos obrigado a beber álcool de posto.

O trote ao estaudante começou dentro da universidade e depois continuou numa avenida da cidade. Por mais de 8 horas, o rapaz sofreu agressões físicas e psicológicas.

O calouro disse que teve que pedir dinheiro aos motoristas numa avenida. Ele contou que foi obrigado a tomar vodka, pinga e até álcool combustível. Os estudantes também passaram na pele dele veneno usado para matar carrapatos. O aluno, que não é fumante, também contou a família que foi obrigado a fumar um maço de cigarros.

- Eu até bebi álcool de posto - disse o estudante.

E desabafou:

- Segundo eles, eu fui rebelde. Se você faz aquilo que eles querem, se dá bem - explicou o estudante.

O calouro chegou ao hospital com dificuldades para falar e andar.

- Eles também rasgaram minha calça - contou o estudante.

"Segundo eles, eu fui rebelde. Se você faz aquilo que eles querem, se dá bem"

Uma amiga que testemunhou as agressões ligou para a mãe do rapaz e avisou das agressões.

- Ela me telefonou e disse vem buscar teu filho que os meninos estão judiando dele. Ele chegou a falar comigo pelo telefone, totalmente embriagado, e eu pensei que fosse brincadeira - disse a mãe do estudante agredido, Maria da Silva Bonesso.

Ela foi até a universidade e encontrou o filho bêbado.

- Quando eu cheguei no local ele estava chorando, correndo no meio da rua. Mãe eles me bateram, fizeram eu fumar um maço de cigarro, fizeram eu beber álcool de posto, me fizeram pedir dinheiro no farol e, quando disse que não ia pedir mais, me deram três tapas no rosto - contou a mãe.

O rapaz foi levado ao hospital onde os médicos fizeram exame de dosagem alcoólica. O aluno teve que tomar soro e glicose.

Policiais estiveram na Unicastelo para identificar os alunos que participaram do trote violento.

O delegado que já abriu inquérito para investigar o caso diz que os responsáveis pelo trote violento serão punidos criminalmente.

- Eles são indiciados em procedimentos criminais nos crimes de constragimento ilegal, injúria grave e lesões corporais - explicou Gerson Piva, delegado.

A Universidade Camilo Castelo Branco disse que repudia o trote físico e que permite apenas os culturais ou solidários. A universidade informou que monitores acompanham os calouros nos primeiros dias de aula para evitar esse tipo de situação. A universidade ressalta que, apesar de o trote ter sido fora do campus, vai apurar os fatos e os alunos que se excederam podem ser até expulsos. Os estudantes do 5º ano do curso de Veterinária deverão ser ouvidos em uma sindicância. Perto da universidade, há uma faixa dizendo que trote violento é ilegal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário