Política, cultura e generalidades

sábado, 16 de janeiro de 2010

A transmissão de jornalísticos na Jovem Pan e em outras FMs

Jovem Pan FM
Há muita controvérsia sobre a transmissão de programas totalmente jornalísticos (sem música) em rádios FM. Esta polêmica não se restringe a FMs jornalísticas em tempo integral, como a CBN e a Band News, ou rádios "AM em FM", como a Tupi do Rio e a Metrópole de Salvador. A polêmica acontece também em rádios musicais. A cidade de São Paulo é pródiga nesse tipo de programa. O maior mau exemplo em Sampa é o da rádio 107,3, ex-Brasil 2000, que repete na íntegra o jornal Primeira Hora, que tem 3 horas e já é transmitido pela Bandeirantes em AM 840 e FM 90,9.

Desde que a rede Jovem Pan FM (liderada pela FM 100,9 paulistana) foi criada em 1994, todas as emissoras da rede (a paulistana e as afiliadas) transmitem em cadeia com a rede Jovem Pan AM (liderada pela AM 620 paulistana) o Jornal da Manhã, em sua primeira hora (6 a 7h). Com apenas uma diferença: enquanto a rede Jovem Pan AM transmite o jornal na íntegra (com os intervalos, que incluem até informes do trânsito paulistano transmitidos para fora da cidade), a rede FM tem intervalos comerciais locais. O canal de satélite da FM fica mudo durante o intervalo.

Jornal em FM é um dos muitos atentados contra a segmentação do rádio. Quem liga o rádio numa FM quer ouvir música e informação entre uma música e outra. Não longos períodos sem música alguma. Mas como segmentação virou palavrão entre os tecnocratas, o avanço desses jornais de meia ou uma hora continua. Agora mesmo, a partir de março, a terceira encarnação da Jovem Pan FM em terras cariocas trará de volta o Jornal da Manhã, de segunda a sexta, de 6 a 7h. A Jovem Pan retornará através de uma empresa de informática e multimídia carioca que é parceira de longa data da Jovem Pan, e que arrendou a rádio FM 104,5 de Armando Campos.

O Jornal da Manhã em si é bom. Tem um trabalho de reportagem sensacional, e comentaristas muito mais éticos que os comentaristas pedantes do Sistema Globo de Rádio ou do Grupo Bandeirantes. E ainda conta com Carlos Chagas, o melhor comentarista político em atividade no rádio brasileiro.

A transmissão de jornais em FM tem apenas uma serventia: fazer as rádios cumprirem a meta mínima de 5% de jornalismo que toda rádio deve ter. O dia tem 24 horas. Portanto, tem 1440 minutos. 5% disso significam 72 minutos. Considerando que o Jornal da Manhã tem 60 minutos, descontando-se os intervalos e acrescentando as notas jornalísticas que a Jovem Pan deverá ter ao longo de toda a programação, é possível que a rádio cumpra a cota mínima de jornalismo, como fez nas duas encarnações anteriores nos 94,9 e nos 102,1.

Mas isso não justifica a existência de jornalismo prolongado no FM, pelos motivos apresentados há anos por este TRIBUTO e pelo amigo Alexandre Figueiredo do Preserve o Rádio AM.

Publicado originalmente no Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

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