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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Prefeitura retira repetidores laterais dos sinais da Zona Sul

Prefeitura do Rio de Janeiro
Fonte: JB.

Prefeitura retira repetidores laterais dos sinais da Zona Sul

André Balocco, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A troca das lâmpadas convencionais dos sinais da Zona Sul por outras de tecnologia LED, de melhor visibilidade, vem provocando um efeito colateral criticado por engenheiros, advogados e representantes de moradores de alguns dos bairros. Eles reclamam que, em vez de comprar novos sinais para substituir os antigos, a CET-Rio optou por 'canibalizar' os já existentes. Com a medida, os sinais repetidores laterais, que ficam ao lado dos de pedestres e em nível mais baixo, estão desaparecendo de muitas esquinas. Retirados, eles vão para depósitos, formar uma espécie de estoque regulador, deixando motoristas e pedestres na mão.

– Em vias largas como a Avenida N. S. de Copacabana e as ruas Figueiredo Magalhães e Barata Ribeiro, por exemplo, esses sinais auxiliares são necessários – diz Paulo César Ribeiro, engenheiro de transportes de Coppe/UFRJ. – A retirada dos repetidores laterais pode retardar o início do deslocamento dos automóveis que estão na primeira fileira do sinal, pois seus motoristas não enxergam o sinal mais alto. Isso aumenta o congestionamento. Mas a chegada das lâmpadas de tecnologia LED é bem-vinda.

O projeto da CET-Rio é visto com bons olhos, o que desagrada é a forma de implementação. De acordo a CET, a empresa vai recolocar os sinais laterais depois que terminar a troca – o que ainda não tem data. Os sinais retirados são levados ao depósito, onde recebem as novas lâmpadas LED. Depois viram sinais principais, aqueles que ficam no alto, já que as caixas são idênticas. Os sinais antigos voltam para o depósito, e o ciclo se renova. O problema, segundo especialistas, é que o estoque regulador não foi feito com novos semáforos e sim com os laterais.

– Não tem esse negócio de economizar, a prefeitura não é pobre. Os impostos que ela cobra não são nada fáceis de se pagar – reclama Fernando MacDowel, doutor em engenharia de transportes.

MacDowell é um dos mais ferrenhos críticos da retirada dos repetidores laterais – mesmo sendo favorável à troca pelas lâmpadas LED.

– Pegar este sistema arcaico e piorá-lo, mesmo que provisoriamente, não pode ser considerada uma boa medida – critica.

Morador da Barra, Mac Dowell vê vantagens nas lâmpadas LED, principalmente na instalação em vias como a Sernambetiba e a Avenida das Américas, onde os motoristas enfrentam dificuldades por dirigirem com o Sol incidindo sobre os semáforos. Mas reclama da manutenção da sinalização.

– Aqui na Barra, quando tem um pique de luz, os sinais da Avenida das Américas ficam piscando. Por que esse sistema tão arcaico? Para onde vai o dinheiro dos impostos?

O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, tem recebido muitas queixas. Morador do bairro que tem a maior proporção de idosos do Rio, Horácio é cobrado, diariamente, sobre o sumiço dos sinais.

– - Pensei que estávam sendo alvo de vândalos – disse, ao saber, pela reportagem do JB, a razão do 'sumiço'. – Mas é aquela velha história de cobrir a cabeça e descobrir os pés.

Ele também critica o risco para os pedestres.

– A retirada pura e simples, como estão fazendo, não é boa porque prejudica os idosos. Para atravessar, as pessoas se orientam pelos sinais laterais, principalmente quando os de pedestre estão queimados.

Horácio frisa que a troca por lâmpadas LED é uma excelente medida, mas destaca dificuldades no processo de substituição.

– Aqui circulam muitos ônibus e caminhões que, invariavelmente, bloqueiam os sinais principais por causa da sua altura. Por isso, os laterais são importantes, pois dão alternativas ao motoristas.
20:22 - 11/01/2010

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