Política, cultura e generalidades

domingo, 24 de janeiro de 2010

Bombeiros não sobem favelas


Se eles não sobem, eu e meus colegas também não subiremos mais!

Isonomia já!

Fonte: O Dia.

Bombeiros não sobem favelas

Relatório do Ministério da Saúde e associações de moradores apontam que militares do Samu têm dificuldade para entrar em comunidades dominadas por traficantes. Mais da metade das viaturas está quebrada e parada em empresa

POR THIAGO PRADO

Rio - Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) se recusam a entrar em favelas desde que o Corpo de Bombeiros assumiu a atividade, em 2008. A reclamação está em abaixo-assinado de 15 comunidades do Rio e em relatório do Ministério da Saúde, nas mãos do procurador federal Daniel Prazeres. Feridos e doentes estariam sendo resgatados só quando transportados por moradores para locais distantes de regiões dominadas por traficantes.

A decisão de tornar o Samu do Rio o único militarizado do Brasil foi tomada pelo governador Sérgio Cabral em 2008. Cerca de 1.500 funcionários civis foram demitidos e bombeiros assumiram a função. Relatório produzido pelo governo federal no ano passado lista uma série de críticas à atuação dos militares desde então: eles não têm capacitação para guiar as ambulâncias e provocam acidentes, não há conserto dos carros e as equipes são rejeitadas pela população das favelas cariocas.

“Os bombeiros têm uma imagem ruim nas comunidades. Bandidos acham que eles podem ser milicianos. O atendimento está muito lento. Aposto com o estado que não houve melhora como anunciado”, afirma o presidente da comissão de funcionários demitidos do Samu, Leandro Vabo. “Sempre pedem para deixarmos o morador em algum ponto de referência fora da favela. Não posso afirmar que pessoas estão morrendo por isso, mas está atrasando muito o processo”, reclama o presidente da Federação das Associações de Moradores de Favelas do estado (Faferj), Rossino de Castro Diniz.

Um dos motivos para o alto índice de acidentes com as ambulâncias é creditado à eliminação dos cursos de direção defensiva para os bombeiros. “Das 132 viaturas cedidas pelo Ministério da Saúde ao Rio, 60 estão sucateadas. A maioria está parada na sede da empresa Toesa (que fornece as ambulâncias), em Bonsucesso. Estão depenando os carros lá dentro”, afirma Leandro.

O deputado estadual Rodrigo Dantas (DEM) reclama que os militares não poderiam estar no Samu: “Eles não fizeram concurso público para isso. Estão desviados de função exercendo essa tarefa”.

O aumento de casos de uso de militares em tarefas que não estão ligadas à atividade-fim da corporação é questionado pelo presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros, Nilo Guerreiro: “Estamos combatendo a dengue e fomos usados até como pedreiros nas obras das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)”.

Atendimento ampliado

Procurada para comentar o relatório do Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde informou, por nota, que “os profissionais desligados de suas atividades no Samu eram contratados por meio de cooperativas e foram substituídos por bombeiros aprovados em concurso público”.

Segundo o superintendente de Serviços de Urgência e Emergência Pré-Hospitalar, Fernando Suarez, não há irregularidade no fato de bombeiros trabalharem no Samu. Ele ressalta que o total de atendimentos — antes e depois da entrada dos militares nessa atividade — mais que dobrou, passando de uma média de 1,2 mil para 6 mil ligações atendidas por dia.

Além da investigação do Ministério Público Federal, corre no Tribunal de Justiça do Rio ação questionando a militarização do Samu. O estado foi notificado em dezembro para dar explicações sobre o caso.

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