Política, cultura e generalidades

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O esquerdista José Serra


Eu já disse aqui que a direita autêntica não se sente representada por nenhum político ou partido brasileiro. Mas há no circuito direitista quem diga que a direita (ou parte dela) acolherá a candidatura presidencial de 2010 do tucano José Serra, mesmo que a contragosto. Afinal, figuras direitistas (mas não assumidas) como Geraldo Alckmin e Luciano Bivar foram sacrificadas no altar eleitoral de 2006.

O contragosto se justifica: José Serra é um marxista-leninista-stalinista, promoveu políticas esquerdistas quando foi presidente da UNE, onde foi companheiro dos futuros petistas José Dirceu e Vladimir Palmeira e, como muitos esquerdistas, se exilou fora do país após o famigerado AI-5.

Um direitista assumido que rejeita José Serra é o jornalista Aristóteles Drummond, filiado tão fiel ao PP que até hoje apoia o Regime de 1964 e o Governo Lula, ambos apoiados pelo partido que já foi Arena (herdeiro da UDN e também gerador do atual Democratas) e PDS. Perguntado se ele prefere como presidente da República o esquerdista José Serra ou a ex-guerrilheira anti-1964 Dilma Rousseff (PT), ele diz que prefere a ex-guerrilheira, que confessa o que fez no passado, ao contrário do dissimulado Serra.

Aristóteles Drummond elogia a política econômica de FHC, herdada por Lula, mas observa também que Serra trocaria isso tudo por uma política econômica comunista.

Ao invés de dar ouvidos ao sr. Aristóteles, prefiro dizer por mim mesmo que José Serra é um esquerdista autêntico. Só que um esquerdista estilo Partido Comunista da China, com nenhuma abertura política (alguém acredita mesmo que Serra seja um democrata?), monopólio do Partido sobre o Estado e censura total, escorados por uma ampla abertura econômica neoliberal (incluindo precários direitos trabalhistas) com uma economia planificada pelo Estado, permissão de existência de investimentos estrangeiros e surgimento de uma riquíssima burguesia nacional, obviamente simpática ao Partido. Junta-se a tudo isso algumas medidas paliativas típicas da esquerda, como a quebra das patentes dos remédios contra a SIDA-AIDS, muito criticada por neoliberais em geral, por ser "ingerência do Estado no mercado livre".

Hugo Chávez se inspirou no PC chinês para apoiar o surgimento de uma burguesia venezuelana dita socialista ou bolivariana. Mas não passa a ser um direitista por isso. Muito pelo contrário.

Para ficar mais palatável para a direita, José Serra adota políticas neoliberais quando convém. Como o apoio à privataria generalizada (de venda pura e simples de estatais a entrega de unidades de saúde e de educação a Organizações Sociais, OSs) e a recente limpeza populacional na Zona Leste paulistana. Afinal, os pobres atrapalham projetos ligados à Copa de 2014.

O PT e o PSDB já ensaiam o grande teatro plebiscitário de 2010. Mas escondem que José Serra poderá repetir a mesma natureza do Governo Lula: um governo esquerdista se equilibrando entre os intelectuais esquerdistas (ou que julgam se-lo) e os direitistas mais fisiológicos, incluindo tanto o empresariado neoliberal como a velha direitona.

Ou alguém ainda duvida que figuras tipo José Sarney, Fernando Collor, Jader Barbalho e a atual mídia direitista estarão com o presidente Serra?

Se Lula é um presidente da coalizão das esquerdas bolcheviques com a direita mais atrasada do país, José Serra poderá ser um presidente esquerdista servindo de tábua de salvação para a desencantada ultra direita brasileira.

A esquizofrenia da política brasileira não tem limites.

Um comentário:

  1. OLÁ MARCELO DELFINO.

    ESQUERDA E/OU DIREITA SIMBOLIZAM COM QUAL MÃO VÃO ROUBAR MAIS.

    ABS DO BETO.

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