Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Governo Lula não mudará mais nada no rádio nem na TV

Se alguém ainda esperava alguma mudança positiva no Governo Lula com relação à fiscalização do serviço de rádio e TV aberta no nosso país, é bom o nobre leitor perder as esperanças.

Na última segunda-feira, o ministro das Comunicações Hélio Costa foi o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura. O programa é ancorado por ninguém menos que Heródoto Barbeiro, um dos "pais" da ideia da CBN FM. O tema principal era a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), mas é claro que outros assuntos foram abordados.

A entrevista foi comentada em postagem do Jornalismo B. Farei comentários em cima de trechos da postagem.

Infelizmente, logo no início, o ministro já frustrou os que ainda esperavam resultados concretos da Confecom, afirmando que ela fornecerá subsídios para o Congresso agir, mudar para melhor o marco regulatório, mas que será muito difícil isso acontecer ainda esse ano ou no próximo.

Isso joga uma pá de cal na esperança de gente da extrema-esquerda, que esperava que Lula fizesse no Brasil algo parecido com o que os presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Hugo Chávez (Venezuela) fazem em seus países, tipo devassa nas emissoras não alinhadas, fechamento de emissoras tidas como oposicionistas ou golpistas, etc. Também freou um pouco as suspeitas da ultra-direita, que tinha suspeitas no mesmo sentido.

Ele vê como uma “evolução natural” a concentração dos meios de comunicação, e que os veículos são “direito adquirido”, no qual não se pode mexer. Rasga a Constituição (art. 54) ao dizer que os políticos não podem estar em posição de mando de um grupo de comunicação, mas que podem, sim, ser acionistas, cotistas. “A essas alturas dos acontecimentos, vai ser muito difícil consertar o passado”. Não demonstra interesse em democratizar. Ou seja, deixou claro que, no que depender dele, nada vai mudar.

Eu não sei se isso é preguiça ou má vontade da parte do ministro.

Apesar disso, elogiou as mudanças na Argentina, mas se enrolou todo ao falar do controle social da mídia. Para ele, essa é “das expressões mais temerosas” que surgiram nas discussões pré-Confecom. Foi enfático ao afirmar que o governo não vai levantar a questão. E chegou a admitir: “existe um acordo de cavalheiros entre as partes para não discutir o controle social da mídia”.

Se a realização da Confecom é um grande mérito do governo Lula, isso não anula o fato de que ela vem capenga, com diversas deficiências já mencionadas
aqui e aqui.
A demora em convocá-la, segundo o ministro, se deu porque “é muito difícil convocar conferências” e mais ainda “colocar na mesa para negociar todos os setores envolvidos com comunicação”.

Ou seja: na gestão do Governo Lula, há a mesma natureza que os governos Sarney, Collor e FHC tinham com o tema: deixar os radiodifusores prestarem um péssimo serviço. E esse "acordo de cavalheiros" deve envolver, naturalmente, toda a base de apoio de Lula, que vai desde o grupo Record-IURD até os políticos aliados e "donos" de rádios e TVs. Entre eles, o próprio Hélio Costa e seu suplente no Senado, Wellington Salgado.

Por fim, a respeito das sublocações dos canais de TV, principalmente por igrejas, “não é tão simples de resolver”. Tudo é complicado para Hélio Costa. Demonstra uma falta de vontade política de resolver os problemas quando eles tocam nos interesses de gente graúda.

Pois bem, o ministro claramente defende, como todos já sabemos, os interesses dos grandes meios de comunicação. Saiu-se bem em alguns pontos, falou razoavelmente bem da Confecom, criticou os setores empresariais que se ausentaram, mas faltou uma defesa mais enfática da efetiva democratização que se espera de um ministro comprometido com o interesse público, com a função social da comunicação.


Ou seja: continuará a picaretagem gospel, a jabazaria, a politicagem e a patifaria generalizada no rádio e na TV.

E ainda há otários que defendem o Governo Lula. Tal como há ainda quem defenda Sarney, Collor, FHC...

Publicado originalmente no Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

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