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sábado, 14 de novembro de 2009

Serra e o desabamento no Rodoanel

José Serra
Até agora, ninguém levantou a hipótese das possíveis responsabilidades do Governo José Serra nessa lambança. E olha que até o TCU encontrou irregularidades nas obras do Rodoanel. O TCU não existe só para emperrar o PAC, como diz a cavalgadura do Apocalipse.

Fonte: Estadão.

Obra do Rodoanel desaba sobre rodovia Régis Bittencourt em SP

Três vigas de sustentação caíram sobre um caminhão e dois carros, deixando ao menos três pessoas feridas

estadao.com.br

SÃO PAULO - Pelo menos três pessoas ficaram feridas na noite desta sexta-feira, 13, após a queda de vigas de sustentação de um viaduto em construção no trecho sul do Rodoanel Mário Covas, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O governador de São Paulo, José Serra, esteve no local, onde se disse aliviado por não haver vítimas fatais.

As três estruturas caíram sobre um caminhão e dois carros de passeio no km 279 da Rodovia Régis Bittencourt, no sentido São Paulo. As vítimas, uma delas em estado grave, foram levadas para o Hospital Geral de Itapecerica da Serra e para o Hospital Geral de Pirajuçara, em Taboão da Serra.

Em entrevista coletiva, Serra afirmou que não houve mortes. "A minha grande angústia era que houvesse vítimas fatais, mas não há. Duas foram levadas para o pronto-socorro e esperam para ser liberadas. Outra foi encaminhada para o hospital e passa por exames adicionais."

O Corpo de Bombeiros encaminhou o motorista de um Celta preto, Carlos Fernando Rangel, de 38 anos, para o Hospital Geral de Itapecerica. Outra vítima dirigia o caminhão atingido por uma das vigas. Conhecido como Reginaldo, o segundo ferido chegou ao hospital após ser socorrido por uma ambulância da Autopista. Ele continua internado em observação no Hospital de Itapecerica e já está fora de perigo.

Segundo informações do pronto-socorro central de Embu, uma paciente, que seria a terceira vítima, identificada como Luana Augusto, de 21 anos, deu entrada na emergência da unidade, onde foi medicada e passou por raio X. Aparentemente apenas com escoriações, ela teria deixado o hospital antes mesmo de ser liberada pelos médicos. Segundo o pronto-socorro, uma pessoa que acompanhava Luana afirmou que a jovem ocupava um veículo no momento do acidente. Luana seria ocupante do Renault Clio vermelho, um dos dois veículos de passeio também atingidos pelas vigas. Ainda haveria uma quarta vítima a ser confirmada.

O governador José Serra disse que os serviços de resgate que atuam no local contarão com o apoio de cães farejadores, para que se tenha certeza absoluta de que não há mais ninguém sob os escombros. "Como três vigas caíram, nossa prioridade agora é retirar a quarta viga."

Barulho igual ao de explosão

Hugo Pereira da Silva, de 19 anos, funcionário de um supermercado, ia para a casa de um tio, no sentido Curitiba, quando ouviu um barulho "igual ao de uma explosão" e viu duas das vigas caírem sobre a pista da BR-116 (Régis Bittencourt). Em seguida, despencou a terceira peça. "Parece que racharam no meio e caíram", contou. Ele ouviu batidas entre veículos que trafegavam pela pista e, depois, carros saindo de ré do trecho sob o tabuleiro, com receio de também serem atingidos pelas peças de concreto.

O trabalho de remoção dos carros e das vigas começou por volta das 23h30. Dois guindastes foram posicionados no local do acidente para retirar a quarta viga, que ameaça cair na rodovia. A limpeza e a retirada de todos os escombros da pista só serão realizados depois que a viga remanescente sobre o viaduto seja retirada.

A autopista informou ainda que havia fluxo intenso na pista quando as vigas de sustentação caíram. Um Clio vermelho, um Celta preto e uma carreta basculante foram atingidos.

Rachadura

A reportagem do Estado apurou com testemunhas que a causa mais provável do desabamento foi uma rachadura em uma das vigas. O tabuleiro de sustentação local do acidente estava apenas lascado, como se tivesse sido raspado. Há 15 dias, uma viga igual teria quebrado durante o transporte e estaria caída no meio de uma rua em Embu.

"Já lançamos mais de 300 vigas como essas até agora. Houve uma ruptura e, com isso (as vigas), caíram do apoio", afirmou o diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza. Souza não explicou o que pode ter levado ao incidente que provocou a queda dos pilares.

A concessionária Autopista Régis Bittencourt já planejava a interdição total da BR-116 na noite do sábado, para a instalação de seis vigas de sustentação do viaduto do Rodoanel. Quatro foram colocadas no último fim de semana e o serviço já havia passado por atrasos. A instalação das vigas é de responsabilidade da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), que está construindo o Trecho Sul do Rodoanel e a ligação com o Trecho Oeste.

Em 2 de outubro, o Estado havia noticiado que as obras do viaduto do Rodoanel no km 279 estavam canceladas por tempo indeterminado, por falta de guindaste para realizar o trabalho, segundo a Autopista. Os serviços, que estavam programados para o período de 3 a 6 de outubro, foram cancelados e não havia previsão de uma nova data para as interdições. Um mês depois, as obras foram retomadas. Entre 7 e 10 de novembro, as vigas foram lançadas sobre os tabuleiros. Os serviços ocorreram entre 20 e 6 horas e exigiram o bloqueio da Régis.

Segundo a assessoria de imprensa da Dersa, as empresas que fazem parte do consórcio responsável pela obra, que compõe o lote 5 do Rodoanel, são a OAS e a Mendes Júnior.

Desespero

“Foi o maior desespero da minha vida. Estava chegando ao ponto de ônibus quando vi os blocos caindo”, relatou um funcionário da concessionária de estradas CCR, que trabalha no turno da madrugada e chegava ao ponto de ônibus do km 279 quando aconteceu o acidente. “Quando vi que não iria conseguir ajudar, liguei para os bombeiros”, disse o homem, que não quis ser identificado.

Seis equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Rodoviária Federal foram mobilizadas para trabalhar no resgate das vítimas.

O tráfego está interditado na pista do acidente, sentido São Paulo, e um desvio foi feito a 800 metros antes do local do acidente, obrigando os motoristas a passar por dentro do município de Embu para seguir viagem. A interdição será mantida por tempo indeterminado. O tráfego está liberado no sentido Curitiba, mas uma das faixas está sendo utilizada pelas equipes de resgate.

Todas as equipes de bombeiros das cidades de Itapecerica da Serra, Cotia e Barueri trabalham no resgate das vítimas.

O governo estadual informou que está apurando o acidente no viaduto, que faria a ligação entre os trechos oeste e sul.

Iniciada em maio de 2007, a obra desse trecho começa na Rodovia Régis Bittencourt, em Embu, e vai até a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, região do ABC, passando pelos municípios de Itapecerica da Serra, São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André e Ribeirão Pires. O plano é facilitar o acesso rodoviário de veículos pesados do interior para o Porto de Santos.

TCU

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), entre maio e julho de 2008, apontou alterações no projeto básico da obra. Para reduzir os custos, as empresas contratadas alteraram métodos construtivos, com redução no número de vigas usadas em pontes, substituição de estacas metálicas por pré-moldadas e troca de areia por brita em muros de contenção. "Assim, usaram menos material de construção, mas receberam o mesmo dinheiro", explica o relatório do Tribunal.

O documento do TCU aponta as irregularidades como "graves" e passíveis de resultar numa "combinação altamente danosa às finanças" da União e do Estado. "O desdobramento do processo pode gerar repactuação contratual, anulação do contrato e ressarcimento de valores."

Fura-fila

Integra o consórcio responsável pelo lote 5 a empresa Carioca. Trata-se da mesma empresa responsável pela obra do viaduto do Fura-Fila que caiu na Vila Prudente, em 1º de abril de 2008. O lote 5, com 35 pontes e viadutos, tem 18,6 km de extensão e representa 19,7% da obra.

Com informações de Bruno Tavares, Fábio Leite, Fábio Mazzitelli, Felipe Gradin, Josmar Jozino, Leandro Calixto, Luísa Alcalde, Naiana Oscar, Maíra Teixeira, Marcelo Godoy e Ricardo Valota

Atualizada às 4h30

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