Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O apagão carioca

Rio 2016 - Cidade dispendiosa
Já começaram as Olim Piadas 2016.

Fonte: O Dia.

Apagões ameaçam verão

Aumento no consumo de energia é uma das causas do problema. Temperatura vai subir ainda mais

Rio - O próximo verão pode ser marcado por apagões no Rio. Segundo especialistas, uma conjugação de fatores como o aumento da demanda por energia não acompanhada por investimentos suficientes na rede e temperaturas mais altas podem deixar o carioca às escuras, como aconteceu entre segunda-feira e ontem com pelo menos 42 mil pessoas. Foram quase 24 horas no breu.

Na Sorveteria Itália, no Leblon, tortas e potes de sorvete derreteram e foram descartados. A proprietária estima o prejuízo em R$ 50 mil.
A quarta grande queda de energia em duas semanas atingiu moradores de 12 bairros de Norte a Sul do Rio e de Caxias. Quem sofreu mais tempo com o apagão foram os moradores de Leblon, Ipanema, Lagoa, que ficaram sem luz das 15h50 de segunda até as 14h40 de ontem. Também foram atingidos os bairros de Tijuca, São Cristóvão, Benfica, Ramos, Méier, Penha, Abolição, Jacarepaguá, Sepetiba e parte de Caxias.

Meteorologistas preveem um verão muito quente, com mais consumo de energia e consequente aumento na probabilidade de novos apagões. “Para dezembro e janeiro teremos temperatura na média da estação. Para fevereiro, esperamos temperaturas mais altas e clima mais seco”, explica o meteorologista Marcelo Pinheiro, do Climatempo.

Segundo Josef Perecmanis, coordenador do departamento de Energia Elétrica da Escola de Engenharia da UFF, as políticas de incentivo a compra de eletrodomésticos provocou o aumento na demanda de energia: “Os investimentos que estão sendo feitos pelas concessionárias não estão conseguindo acompanhar a demanda. As empresas ainda estão se adaptando, mas isso não é uma coisa rápida. As empresas de energia foram pegas de surpresa”.

O vice-presidente de Clientes e Operações da Light, Roberto Alcoforado, descartou o perigo de novos apagões. Ele atribuiu a interrupção no fornecimento de bairros da Zona Sul a falha em três cabos do sistema que abastece a região. “Tivemos problemas em três de um total de oito cabos. Por prevenção, interrompemos o fornecimento. A rede na Zona Sul, Centro e parte da Barra é toda subterrânea e extremamente segura. Os problemas registrados em outras regiões são decorrentes de avarias em transformadores. Entre a quarta-feira passada e a última segunda tivemos aumento de 27% no consumo na Zona Sul. Em todo o Rio, já chega a 10%. Falarmos em risco de apagão é fora de propósito. E não vamos recomendar racionamento”.

“Durante 10 anos (de 1996 a 2006), a rede subterrânea não recebeu investimentos”, conta o engenheiro Clayton Vabo, diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio.

Dia de caos na Zona Sul

A falta de luz trouxe prejuízo a empresas e muita dor de cabeça para os moradores dos 12 bairros cariocas que ficaram no breu. Sem energia, alguns moradores de apartamentos não receberam a água bombeada da caixa d’água.

No Edifício Lygia Maria, na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, o porteiro José Orlando Ricardo, 62, tomou banho no apartamento de um zelador amigo. “Moro no último andar. Sou obrigado a subir 146 degraus para chegar em casa”, lamentou José, que perdeu as contas de quantas vezes subiu e desceu as escadas para socorrer moradores.

Na loja de Sorvetes Itália, no Leblon, a proprietária distribuiu os picolés para não ter que jogá-los no lixo. “Meu prejuízo não vai ser menor do que R$ 50 mil ”, lamentou Sônia Negri.

Cecília Cordeiro Rocha, 70 anos, teve que ficar em casa, na Abolição, com o filho cadeirante, que não pôde sair porque o elevador do prédio não funcionava. “Foi um absurdo. “Sem luz acabamos nos sentindo presos”, lamenta a aposentada.

Light será obrigada a se explicar diariamente

Quinze depois de enviar técnicos para apurar falhas no fornecimento de energia no Rio, ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou, em caráter excepcional, que a Light envie informações diárias sobre interrupções no fornecimento de energia até o fim de cada tarde. A concessionária terá que relatar a duração da pane, área e população afetadas. O Ministério Público Estadual deve instaurar um Inquérito Civil Público para apurar os apagões.

Segundo a Aneel, a Light tem 48 horas para explicar as interrupções no fornecimento de energia de segunda e do último dia 13, quando Copacabana e Ipanema tiveram o serviço bastante afetado. No documento também devem constar as medidas adotadas para evitar a repetição do problema. Além dessa notificação, a agência investiga os problemas no abastecimento de luz em 30 bairros cariocas, no início do mês. A empresa tem 15 dias para se explicar e pode ser multada em até 1% de seu faturamento.

O Ministério Público do Rio deve instaurar um Inquérito Civil Público para investigar a responsabilidade da concessionária no apagão. De acordo com o promotor Rodrigo Terra, os danos causados à população devem ser ressarcidos. “O serviço de fornecimento de energia é essencial, por isso, a interrupção que causa dano ao consumidor pode ser considerada ato ilícito. Todas as formas de dano ao consumidor, sejam materiais ou morais, são passíveis de reparação”.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, solicitou ontem à Aneel a transferência da fiscalização das concessionárias de energia elétrica do Rio para a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio (Agenersa). A intenção é intensificar a fiscalização.

32 SINAIS APAGADOS

Devido à falta de energia, 85 guardas municipais foram deslocados para organizar o trânsito, principalmente na Zona Sul. Trinta e dois semáforos deixaram de funcionar.

Uma escola estadual e oito municipais não tiveram aulas ontem. Escolas Municipais Santos Anjos e Henrique Dodsworth, no Leblon, funcionaram com número de alunos reduzido nos dois turnos.

HISTÓRICO DE BLECAUTES

VENTO DEIXA SEM LUZ
Em 12 de outubro, moradores da Baixada e dos bairros Riachuelo, Engenho Novo, Abolição e Jacarepaguá ficaram sem luz. A Light atribuiu o problema a rajadas de até 75 km/h.

ZONAS NORTE E OESTE ÀS ESCURAS
Nos dias 10 e 11 deste mês, diversos bairros das zonas Norte e Oeste do Rio sofreram com quedas de energia.

APAGÃO NACIONAL
Por volta das 22h20 do mesmo dia 11, um blecaute nacional deixou sem energia 18 estados. A causa do apagão — que durou mais de duas horas — é controversa. A explicação do governo foi pane elétrica na linha de transmissão de Itaipu devido a condições meteorológicas adversas. Especialistas contestaram. No Rio, o trens e metrô encerraram serviço, ônibus lotaram, sinais de trânsito pararam, celulares e telefones fixos ficaram mudos em parte da cidade, e, nos dias seguintes, o abastecimento de água ficou comprometido.

PROBLEMAS DIÁRIOS
Após o apagão nacional, vários bairros do Rio e da Baixada vêm sofrendo interrupções no abastecimento de energia. No dia 12, foi Ipanema, Copacabana e Santa Teresa.

Reportagens de Amanda Pinheiro, Bruna Talarico, Diego Barreto, Fernanda Alves e Ricardo Albuquerque

Fonte: O Globo.

Aneel dá prazo para Light explicar causas da suspensão do fornecimento de luz no Rio

Publicada em 24/11/2009 às 23h33m
Geralda Doca e Isabela Bastos


BRASÍLIA e RIO - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu nesta terça-feira prazo de 48 horas para que a Light encaminhe explicações para as quedas no fornecimento de energia, ocorridas no último dia 13, no bairro de Copacabana, e na segunda-feira em partes do Leblon, de Ipanema e da Lagoa. A região da Leopoldina, no Centro, também foi atingida, elevando para mais de 40 mil o número de pessoas afetadas.

Segundo a assessoria do órgão regulador, se for contatado algum tipo de problema nas redes, como falta de manutenção, por exemplo, a distribuidora poderá receber advertência e ainda ser multada. O valor pode chegar a 1% do faturamento anual da empresa.

No fim da noite desta terça-feira, a Light informou que os problemas de abastecimento foram solucionados em praticamente toda a cidade. Segundo a empresa, há problemas somente em um trecho do Anil, em Jacarepaguá, e em Vila Valquire. Porém, devido à chuva que caiu na Baixada fluminense no início da noite, há problemas também em Nova Iguaçu, Belford Roxo e Xerém.

Dirigente da Light cita aumento de carga, de consumo e vandalismo
A Light diz que três fatores contribuíram para os problemas que ocorreram num perímetro formado pelas ruas Cupertino Durão, no Leblon, e Garcia D'Ávila, em Ipanema, a orla e a Lagoa. O vice-presidente de Clientes da empresa, Roberto Alcoforado, citou furto de cabos em diversos pontos; acréscimo de 27% no consumo na área, entre quarta-feira da semana passada e segunda-feira, por causa do calor; e aumento de carga (volume de energia disponibilizada) de outubro passado em comparação com o mesmo mês de 2008, período em que a economia estava em recessão.

O aumento do consumo foi atribuído por ele a um crescimento na quantidade de eletrodomésticos nas casas, por causa da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor, mesmo tendo a área afetada um dos maiores IDHs da cidade - ou seja, a maioria dos moradores já possuía esse tipo de aparelho.

- Tivemos um crescimento de carga por conta do aumento do número de eletrodomésticos. Isso sozinho não é motivo para o sistema não suportar. Mas houve aumento grande do consumo em função da alta temperatura. As pessoas ligam mais o ar-condicionado, abrem mais a geladeira. Isso, associado ao vandalismo de roubo de fios, fez com que tivéssemos problemas em três cabos, deixando o sistema em risco. Faltou luz porque desligamos o sistema para evitar danos maiores e mais tempo para consertos - disse Alcoforado.

O vice-presidente explicou ainda que três dos oito de cabos de média tensão que saem da subestação do Leblon para abastecer a região entraram em curto-circuito. Equipes da Light constataram furtos de cabos de baixa tensão que distribuem a energia para os imóveis. A falta desses cabos gerou danos na rede de média tensão, fazendo com que se optasse pelo desligamento do sistema. Técnicos encontraram ainda galerias alagadas em razão de furtos de boias de contenção de águas pluviais. Segundo Alcoforado, a Light contabiliza uma média de 30 quilômetros de cabos furtados ao ano. Ele negou que a empresa não tenha se preparado para o aumento de demanda por energia desta época.

- A empresa investiu R$ 1,2 bilhão em melhorias na rede nos últimos três anos, exatamente para suportar o crescimento do consumo. Somos a melhor empresa em termos de indicadores de qualidade do Brasil. Temos a menor frequência de interrupção por cliente do país - afirmou Alcoforado.

Em resposta à precariedade no fornecimento de luz, o governo do Rio decidiu acelerar o acordo entre a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio de Janeiro (Agenersa) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para descentralizar as funções da autarquia federal e transferir para o órgão regulador fluminense a responsabilidade pela fiscalização da Light.

Fonte: O Globo.

Cariocas já sofrem com problemas constantes de falta de luz antes mesmo do apagão

Publicada em 24/11/2009 às 12h22m
O Globo

RIO - Antes mesmo do apagão que atingiu 18 estados brasileiros e parte do Paraguai, no dia 10 de novembro, os cariocas já estavam sofrendo com frequentes faltas de luz. A explicação da Light, na maioria dos casos, era a de que os problemas foram causados pelo aumento no consumo.

Entre os dias 5 e 8 de novembro, os casos de falta de energia atingiram 30 bairros da Região Metropolitana . Segundo a empresa, 400 transformadores se desligaram, deixando 1.500 mil clientes sem eletricidade. Na ocasião, Carlos Piazza, da Light, listou quatro circunstâncias para o problema: calor; aumento de consumo de energia - inclusive por causa da compra de mais equipamentos eletrodomésticos; inadequação das instalações elétricas de algumas casas, sobretudo em favelas por causa dos "gatos"; e aumento de temperatura do sistema em áreas de fim de rede de distribuição.

- Tivemos a maior temperatura registrada desde 2004. Isso provoca uma série de combinações, como aumento de temperatura num pico forte, ar seco, calor forte e sensação térmica de 45 graus. Isso faz com que as pessoas liguem todos os seus aparelhos ao mesmo tempo. Não há problema de interrupção de rede, mas de transformadores, que é o último ponto de distribuição para os clientes - disse Piazza, na época.

A companhia alegou que houve interrupção do fornecimento de energia em pequenas regiões no entorno dos transformadores que desligaram. Na ocasião, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse que iria inspecionar instalações da Light para apurar as causas dos transtornos e as metas de universalização de energia. A Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços (Sedeis) também disse que cobraria explicações da Light.

No dia 20 de setembro, moradores do Grajaú viram a energia elétrica cair nada menos do que sete vezes em menos de 24 horas. O vaivém permanente afeta quase toda a Rua Gurupi. Moradores dizem já ter recorrido à Light em diversas ocasiões, mas, segundo eles, depois de um tempo de estabilidade, o problema se repete. A assessoria de imprensa da Light disse, na época, que as interrupções de energia na Rua Gurupi nos últimos meses foram causadas por temporais, galhos na rede elétrica e rupturas da rede.

No dia 9 de setembro, foram os ventos de 91km/h que causaram transtornos na cidade. Ruas de seis bairros ficaram sem energia elétrica por causa da ventania. Moradores da Rua Eurico Rabelo, no Maracanã, ficaram sem luz durante quase três horas, devido à queda da fiação elétrica. De acordo com a Light, trechos dos bairros Grajaú, Campo Grande, Manguinhos, Bonsucesso e Senador Camará ficaram parcialmente sem energia. O fornecimento foi restabelecido ao longo da tarde e da noite.

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