Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Música gospel pode virar manifestação cultural e receber incentivo fiscal

E a música católica? E os pontos de macumba? E os mantras orientais? E a música judaica? Também receberão os incentivos fiscais?

Se não receberem, esta lei é discriminatória.

A porteira foi aberta! Se funk carioca pode virar "manifestação cultural" por decreto, por quê não a música gospel?

Sara Nosso Bolso!



Eu estou falando do que conheço, porque conheço música gospel e tenho amigos que fazem música católica.

Portanto, quando critico o projeto de lei, minha opinião tem maior peso do que a de quem não gosta de música gospel.

Fonte: Música gospel pode virar manifestação cultural e receber incentivo fiscal.

BRASÍLIA - Estrela de um grupo de música gospel e bispo da Igreja Sara Nossa Serra, o deputado Bispo Rodovalho (PP-DF) conseguiu aprovar rapidamente na Câmara, e nesta terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), projeto de sua autoria que classifica esse gênero musical como manifestação cultural do Brasil. Movimentos ligados a igrejas evangélicas e grupos de música gospel poderão receber benefícios previstos pela legislação federal de incentivo à Cultura, a Lei Rouanet.

O relator da matéria na CAE do Senado foi o senador Gim Argelo (
PTB-DF), também ligado a movimentos religiosos na capital federal. Um dos principais pontos é possibilitar que pessoas físicas e jurídicas apliquem parte do Imposto de Renda devido em ações culturais. O projeto segue agora para votação, em decisão terminativa, da Comissão de Educação, Cultura e Esporte.

O projeto possibilitará que grupos de música gospel ou eventos relacionados ao gênero musical disputem patrocínios ou deduções de parcelas do Imposto de Renda por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, através de contribuições ao Fundo Nacional da Cultura (FNC).

Além de um canal gospel abrigado nos sites da Igreja Sara Nossa Terra e do próprio Bispo Rodovalho, o deputado autor do projeto ainda ganha dinheiro com um grupo formado com
Alda Célia e outros bispos da Igreja. Seu site convida, há alguns dias, para o lançamento de um novo DVD do grupo: "A Embaixada do Reino de Deus no Sudoeste tremeu!"

2 comentários:

  1. Oi, Marcelo!!!
    Adorei seu blog e concordo plenamente contigo sobre essa palhaçada aê!

    Tanta coisa a ser feita e começam a atribuir valor a algo extremamente irrelevante!

    A primeira coisa que veio a minha cabeça tb foram os pontos de macumba! hehehe!

    Gde bjo e parabéns pelo blog!

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  2. Uma coisa é reconhecer relevância histórica a ritos religiosos, que oportunamente são considerados manifestações culturais pelo IPHAN, depois de muita pesquisa de cientistas sociais sérios. Como por exemplo as pinturas e esculturas religiosas de Aleijadinho, no interior de Minas Gerais, a cerimônia do Círio de Nazaré, no Pará e as muitas igrejas que são tombadas pelo IPHAN. Ou também o samba, que é ligado a elementos culturais africanos, também devidamente tombado como patrimônio cultural.

    Outra coisa são ritmos comerciais, desses que são moldados ao sabor dos ventos financeiros, como certos estilos "religiosos" que macaqueiam de emo a pagodão (tipo Psirico) com letras de "louvor" e que, musicalmente, são difíceis de ouvir com gosto.

    A exemplo do próprio "funk", cuja retórica "social" e cujo verniz de "movimento cultural" só interessa ao favorecimento político, midiático e financeiro dos empresários-DJs e dirigentes funqueiros, agora a tal "música gospel", favorecida por um lobby político não menos expressivo que o dos funqueiros, quer também virar "movimento cultural".

    Essa piada é algo que não se via na música comercial dos EUA, que, com toda a presunção que tinha, não vendia sua imagem de "movimento cultural" nem pegava carona em eventos históricos. Pelo menos Chubby Checker e Paul Anka nunca se autopromoveram com a Contracultura dos anos 60.

    Mas houve quem chamasse Tati Quebra-Barraco de musa do verão pós-tropicalista. Stanislaw Ponte Preta deve estar virando no túmulo, diante do FEBEAPÁ cada vez mais estarrecedor.

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