Política, cultura e generalidades

sábado, 10 de outubro de 2009

Mídia ideológica & mídia partidária

Publicado originalmente no Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

"Ideologia, eu quero uma pra viver"
(Cazuza, na música Ideologia, composta com Frejat)

Há um problema sério com a grande mídia brasileira. Jornais, revistas, rádios, TVs e páginas da Internet têm posições ideológicas e partidárias implícitas ou claras, mas não assumem. Fingem ter uma imparcialidade e um viés democrático que não têm.

Alguns como a rádio CBN (ou melhor, PSDB AM) se vangloriam de dar voz "aos dois lados da questão", mesmo quando há mais de dois lados, mas fazem de tudo para que o lado deles prevaleça e fique na cabeça do leitor/ouvinte/telespectador. Outros como a Infra Rádio Tupi (ou melhor, Sérgio Cabral AM) nem se dão a esse trabalho. Dão voz apenas ao Governo e pronto.

A grande mídia brasileira tem um viés direitista,
neoliberal ou ambos ao mesmo tempo. Às vezes, flertam com a esquerda, porque têm vários profissionais esquerdistas (quem não lembra dos jornalistas, autores e atores petistas da Globo?), ainda mais agora que temos um Presidente da República tido como esquerdista. Mas é só a situação apertar um pouquinho, que os órgãos da grande mídia retomam seu viés direitista e/ou neoliberal imediatamente. Às vezes, até deixam de dar voz para "os dois lados da questão". Como o Grupo Bandeirantes, que só critica as ações radicais de membros do MST porque os próprios Saad têm grandes fazendas em São Paulo.

Os pequenos órgãos da mídia progressista (tipo
Carta Capital e Caros Amigos) costumam assumir seu viés esquerdista, mas falham ao não assumirem seu viés autoritário. Não criticam figuras como Fidel Castro e Hugo Chávez como fazem com figuras como Augusto Pinochet e Álvaro Uribe. Fazem como o desclassificado cantor (?) Chico Buarque, que já disse ser contra ditaduras de direita, mas a favor de ditaduras de esquerda.

Os órgãos da mídia, grandes ou pequenos, seriam mais honestos se assumissem seus posicionamentos. Aqueles órgãos que pertencem aos políticos têm que dizer com todas as letras: "estamos ao lado do político tal". Os que não tem vínculos diretos com políticos têm que dizer diretamente quais são suas ideologias políticas e quais partidos apoiam.

Se as emissoras de rádio e de TV do
Brasil declararem apoio explícito a partidos políticos ou ideologias, virão os políticos contrários dizer que rádio e TV são serviços públicos outorgados, e como tal não poderiam se posicionar. Seria necessária uma mudança na legislação, para permitir às emissoras se posicionarem, mesmo durante campanhas eleitorais. Mas talvez nem isso interesse aos políticos, porque uma emissora dissimulada pode manipular a população muito mais que uma emissora sincera. Então a situação permanece nesse atual caos.

Na verdade, os políticos cretinos reclamam de qualquer maneira. A mídia se posiciona, e os políticos atingidos reclamam como se tivessem a mesma isenção que nós, que não fazemos parte do mundo da política partidária.

Infelizmente, só a pequena mídia assume posições. Seja a mídia progressista (já citada) ou a mídia direitista ou conservadora, que têm no jornal
Mídia Sem Máscara seu maior representante. Mas falta ao Mídia Sem Máscara parar de esconder as últimas ditaduras franquista, brasileira e chilena.

Trago aqui um comentário da
comunidade Prefeitura Rio de Janeiro:

Renato

Não precisa ser imparcial

Pode ser tendenciosa, desde que seja claramente e não esconda. Nos EUA, a mídia é assim, na Europa, a pessoa lê o jornal já sabendo do posicionamento político do mesmo.

Aqui no Brasil, a mídia se esconde... E hoje em dia faz praticamente o papel de um partido político de oposição sem se declarar como mídia opositora.

Mídia imparcial é uma mera utopia. Isenta pode haver, não imparcial. Mesmo porque os profissionais têm que agir conforme mandam os patrões.



Eu acrescento que a mídia deveria deixar seus posicionamentos ideológicos ou partidários para os editoriais, deixando as reportagens mostrarem os fatos tal como são. Sem distorções.

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