Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Exonerado relações públicas da PM-RJ

Bem feito.

Fonte: Jovem Pan AM.

23/10/2009 - 17h20
Publicado Por: Gabriel Mandel

Sérgio Cabral exonera relações públicas da PM

Governador ficou irritado com declarações de major sobre morte de coordenador do AfroReggae

A assessoria de imprensa do governo do Rio de Janeiro confirmou que o governador Sérgio Cabral decidiu exonerar o major Oderlei dos Santos Alves de Souza, que atuava como relações públicas da Polícia Militar, em razão de declarações desrespeitosas que ele teria dado em entrevistas.

De acordo com Cabral, o major não se comportou “como um porta-voz da instituição. Ele se comportou como advogado de defesa dos policiais. Isso eu não admito. Eu não admito porque há registros contundentes de um mau comportamento de um capitão, policiais militares”.

As declarações de Oderlei faziam menção ao assalto que resultou na morte, durante a madrugada de sábado, do coordenador social do AfroReggae, Evandro Silva. Imagens comprovaram que dois policiais militares abordaram os ladrões, colocaram na viatura os pertences roubados de Evandro, liberaram os criminosos e não prestaram socorro ao homem.

Em entrevista à rede de televisão GloboNews, o major assegurou que “qualquer pessoa que fosse identificada na Justiça num primeiro momento não seria presa já que não houve flagrante. Somente na esfera militar é possível realizar essa prisão domiciliar. A PM está sendo rigorosa, mas não pode haver abuso”, pontuando ainda que a corporação exigiu as imagens sem edição das câmeras que flagraram o abuso, porque “já tivemos exemplos de imagens que mostravam uma coisa e era outra; não quer dizer que seja esse caso”.

O comandante geral da Polícia Militar no Rio de Janeiro, coronel Mario Sergio Duarte, passou por nova situação de constrangimento durante entrevista coletiva concedida na tarde desta sexta-feira, para explicar as medidas que estão sendo tomadas em decorrência da morte do coordenador de projeto sociais do AfroReggae Evandro João Silva, na madrugada de domingo.

Dois policiais já haviam sido afastados após a comprovação, com imagens de câmeras de segurança, de que ambos detiveram os criminosos, recuperaram os objetos e liberaram os bandidos, sem qualquer prestação de socorro aos criminosos. Porém, outro membros do AfroReggae, o músico Anderson Elias dos Santos, fez nova denúncia.

Ele garantiu que foi avisado do assalto por telefone e chegou ao local aproximadamente 50 minutos depois de Evandro ser baleado. Anderson contou que “levantei a cabeça do Evandro, coloquei a mãe no peito e senti que o coração ainda estava batendo. Pedi ajuda ao policial, mas ele disse que era assim mesmo, que o coração ia parando aos poucos”.

Após se dizer impotente vendo o amigo morrer, ele informou que não conseguiria apontar o policial que disse a frase, pois se tratava de outra patrulha que chegara ao local. O comandante geral da PM afirmou, ao ser confrontado com o fato, que “todas as coisas que estão sendo ditas serão investigadas”.

Duarte reclamou de uma expressão utilizada pelo coordenador geral do AfroReagge, José Junior, durante encontro realizado no Quartel Central, no Rio de Janeiro. Juniro teria se referido aos dois policiais que não deram assistência a Evandro como “bandidos fardados”, e o comandante tomou a frase como “ofensa à corporação”.

Após a reunião, o policial disse, para os jornalistas que estavam presentes, que “não gostei do José Junior ter usado a expressão bandidos fardados. Não havia necessidade, tomei isso como uma ofensa à corporação. Ele foi acolhido neste quartel da Polícia Militar que está empenhado em elucidar todo o caso. Portanto, refuto essa expressão dentro do quartel. Não há dor que justifque isso”.

Ainda assim, ele informou que foi pedida a prisão preventiva do capitão Denis Leonard Nogueira Bizarro e do cabo Marcos de Oliveira Sales, que teriam omitido o socorro ao coordenador do AfroReggae. Ambos enfrentam Inquérito Policial Militar e seguem detidos no 13º BPM (Praça Tiradentes). Os dois disseram, em depoimento, que não teriam visto Evandro após este ser baleado.

Nesta sexta-feira, seis corpos foram encontrados com diversas perfurações, na favela do Fumacê, em Realengo, Zona Oeste do Rio.

De acordo com informações da assessoria da PM, os corpos de quatro homens não identificados foram encontrados por moradores na Avenida Brasil. Outros dois corpos estão nas proximidades da Rua Princesa Imperial com Estrada da Água Branca.

Com cerca de dois mil homens, a PM realiza operações contra os traficantes em mais de dez favelas do Rio, entrou hoje na Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, zona norte da cidade, onde cerca de 30 agentes foram recebidos a tiros pelos traficantes. Durante o tiroteio, três pessoas foram feridas por balas perdidas, uma delas um ex-militar do Exército de 86 anos, que foi atingido no tórax.

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