Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

3 meses sem o Júlio

Júlio Baptista Almeida da Silva Barroso
O desaparecimento do auxiliar de controle de endemias Júlio Baptista Almeida da Silva Barroso completa três meses no dia de hoje. A maior providência que a Prefeitura fez foi abrir o processo de exoneração (demissão) do Julio por abandono de emprego.

Até agora, o prefeito e o governador não deram satisfação completa aos familiares e amigos do Júlio. Pudera. As duas toupeiras só querem saber das Olim Piadas.

Enquanto isso, as toupeiras dos supervisores do combate à dengue em toda a cidade são orientadas a forçar os agentes a arriscarem suas vidas por mais um focozinho eliminado. O agente pode sofrer de tontura ou vertigem em lugares altos, correndo o risco de desabar lá de cima com equipamentos e tudo. Os supervisores não querem nem saber. Só querem mais tubitos de amostras de focos e mais papéis preenchidos. Querem que os otários subam onde não podem ir.

Quando os supervisores estão insatisfeitos, só fazem preencher Modelos 20, que são os formulários onde são registradas supostas falhas dos agentes. Devido às merdas que escrevem, deviam usar papel higiênico para escrever.

Um comentário:

  1. Todo patrão de um serviço público deve reconhecer limites e riscos para determinados trabalhos. Não podem empurrar seus servidores para trabalhos arriscados e entregá-los a toda sorte de infortúnios. Isso seria um abuso de autoridade e um desprezo pelas garantias de segurança no emprego, afinal, se um servidor tem deveres a cumprir, ele tem também direitos que devem ser respeitados, além de ter também direitos de se prevenir ou se proteger de riscos e ameaças.

    Funções como a de agente de combate à dengue, recenseadores ou mesmo jornalistas também encontram limites nos riscos existentes em determinadas áreas. Mesmo um jornalista, quando tem que cobrir um incêndio ou um arrastão de ladrões, tem seus próprios limites, não vai ficar no "olho" do furacão. Me lembro até do caso do jornalista Antônio da Silva Jardim (homenageado no nome de um município fluminense) que, em nome da profissão, foi conferir de perto o vulcão Vesúvio e morreu ao cair dentro de sua cratera.

    Manifesto minha solidariedade aos familiares do agente Júlio, e lamento que ele tenha sido dado pelas autoridades como "desistente do emprego", sem considerar as circunstâncias arriscadas que devem tê-lo vitimado.

    E fico pasmo que essa atitude parte de autoridades que querem que o Rio 2016 seja um evento que celebre a "cidadania".

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