Política, cultura e generalidades

sábado, 26 de setembro de 2009

Lula pode repetir Jimmy Carter

Lula
Mesmo sem ter comentado nada ainda sobre a atual crise política em Honduras, acompanho tudo atentamente. Naquele país, os poderes Judiciário e as Forças Armadas depuseram o presidente Manuel Zelaya e colocaram no lugar o presidente do Congresso local, Roberto Micheletti até a eleição do sucessor, ou a volta de Zelaya.

Desde então, direitistas e esquerdistas iniciaram uma guerra surda dentro e fora de Honduras. Os direitistas a favor de Micheletti, e os esquerdistas a favor de Zelaya. A discussão envolve desde a ONU, a imprensa direitista e a esquerdista de diversos países até politiqueiros como Lula, Hugo Chávez e Barack Obama.

Um dado novo que pouca gente comentou é que o episódio da invasão da embaixada brasileira em Honduras (ocupada por partidários de Zelaya, que lá está abrigado pelo governo brasileiro) pode fazer Lula ter o mesmo destino de outro presidente.

Em 1979, houve a Revolução Iraniana, quando os alaitolás derrubaram o Mohammad Reza Pahlavi (pró-Ocidente) e instalaram um regime islâmico no Irã. A embaixada dos Estados Unidos em Teerã foi invadida pelos revolucionários, o que obrigou helicópteros das Forças Armadas americanas a resgatarem os cidadãos americanos abrigados no telhado da embaixada. Isso fez sucumbir a tradição de que embaixadas são territórios que não podem ser invadidos por tropas, autoridades ou civis dos países onde estão localizadas.

O vexame americano no Irã fez o presidente democrata Jimmy Carter perder a reeleição em 1980, quando foi eleito o republicano Ronald Reagan.

Diplomaticamente, a tradição do Brasil é pacifista. O país se envolveu em duas guerras: a Guerra do Paraguai e a 2ª Guerra Mundial, bem menos que muitos outros países. Outra tradição é de o país não se envolver em conflitos internos de outros países.

Pois Lula está colocando as duas tradições a perder. Está expondo a nossa embaixada a um vexame internacional (deveria estar abrigando apenas Zelaya e sua família, nunca seus correligionários). Era o caso de oferecer asilo político a Zelaya e expulsar seus correligionários. Lula também está partidarizando a diplomacia brasileira, expondo cidadãos brasileiros a toda sorte de hostilidades dos golpistas pró-Micheletti. E olha que nem todos os brasileiros em Honduras são eleitores do "cara" (segundo Obama). É justo o atual governo golpista hondurenho impedir que brasileiros tenham acesso à sua própria embaixada em Honduras, não importando se eles são eleitores do Lula, dos tucanos, do PSOL, do Cristovam Buarque ou de outros políticos?

Será necessário discutir na eleição do ano que vem o fracasso da política externa do Governo Lula. A despeito do prestígio nacional e internacional do Presidente, a diplomacia brasileira está sendo achincalhada por este episódio, e também por outros, como a tentativa frustrada de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e a desastrada barganha com a França por caças para a Força Aérea Brasileira.

Lula não é (por enquanto) candidato à reeleição. Mas esta série de fracassos poderá provocar a derrota de todos os seus candidatos em 2010. A não ser que a população deste País de Tolos realmente não ligue para política externa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário